Resumo do Projeto
O plástico tem substituído diversos materiais por conta de sua versatilidade e baixo custo. No entanto, sua durabilidade e resistência à degradação causam sérios problemas ambientais e de saúde, pois os plásticos acumulam-se no meio ambiente e podem durar indefinidamente. Estima-se que cerca de 8 milhões de toneladas de plásticos cheguem aos oceanos anualmente, principalmente devido ao lançamento de efluentes não tratados e resíduos transportados pelos rios. Além disso, a poluição plástica afeta toda a biodiversidade, causando danos que envolvem lesões, morte e acúmulo de plásticos nos organismos da fauna aquática e todos os demais aos quais os resíduos plásticos alcançam.
Os plásticos podem se fragmentar em microplásticos, partículas com menos de 5 mm, devido a processos como fotodegradação e biodegradação. Os microplásticos podem ser primários, produzidos diretamente para certos produtos, ou secundários, originados da fragmentação de plásticos maiores. Esses microplásticos estão presentes em diversos habitats aquáticos e têm sido encontrados em água potável, evidenciando seu impacto na saúde humana. Os organismos aquáticos, especialmente o zooplâncton, ingerem esses microplásticos, o que pode afetar sua alimentação, reprodução e crescimento, além de causar bioacumulação nas cadeias alimentares e afetar a cadeia trófica. A ingestão de microplásticos pode resultar em desequilíbrio ecológico e até mesmo transferir esses polímeros para os níveis tróficos superiores, incluindo espécies consumidas por seres humanos. Portanto, a pesquisa sobre os impactos dos microplásticos nos ecossistemas aquáticos e na saúde humana é crucial.
O projeto descrito visa avaliar os efeitos de microplásticos obtidos a partir de pellets de polímeros com diferentes grupos funcionais sobre cladóceros da espécie Moina, utilizando microscopia de epifluorescência. Será possível estudar como microplásticos de diferentes formas, tamanhos e funções orgânicas podem afetam esses organismos. O estudo busca compreender os impactos dos microplásticos na cadeia alimentar aquática, com foco na bioacumulação e nas possíveis consequências para os ecossistemas e a segurança alimentar humana.