Resumo do Projeto
A Metafísica de Aristóteles contém diversas formulações que fazem referência a uma ciência suprema. É, contudo, dificílimo compatibilizar todas essas fórmulas. Semelhante dificuldade pode ser expressa com recurso à oposição entre uma investigação que tem por objeto o ser qua ser, a chamada “ontologia aristotélica”, e uma investigação de entes divinos, a “teologia aristotélica”. Coloca-se, então, esta questão: tratar-se-ia de dois modos de descrever a mesma ciência ou conteria a Metafísica duas disciplinas realmente distintas?
Com esse dilema bateram-se alguns dos mais insignes aristotélicos desde o fim do século XIX. A nós parece que o primeiro passo para resolver essa já clássica questão seja sustentar que a ciência do ser qua ser não é uma autêntica ontologia. Somos de opinião que a maioria dos estudos contemporâneos colocou uma ênfase exagerada sobre a “ontologia aristotélica”, atribuindo à ciência de Metaph. uma autonomia que não lhe cabe.
Advogamos, pelo contrário, que a ciência do ser qua ser consista meramente no desenvolvimento da , isto é, da ciência das causas primeiras ou princípios, esboçada em Metaph. A. O dilema da incompatibilidade entre “ontologia” e “teologia” na Metafísica arruína-se, assim, desde seus alicerces: não pode haver incompatibilidade porque não há sequer uma “ontologia aristotélica”.
Como alternativa, procuraremos mostrar que a ciência suprema deve ser descrita como “arqueológica”, isto é, uma ciência dos princípios – –. Recorremos, assim, ao modelo de anunciado em Metaph. .
Para concluir, apresentaremos um esboço de como a ciência dos princípios seja capaz de conectar as diversas formulações de ciência preeminente contidas na Metafísica.