Nº P0137/2024 Identificador do Projeto

Poética pajé: vigília onírica, política cósmica, performagias.

Letras
#Poética #Xamanismo #Política cósmica #Performagias
Coordenador ANDRE LUIS GARDEL BARBOSA
Situação & Vigência
Em andamento
01/10/2024 30/09/2027
Unidade Responsável Departamento de Letras
Centro de Ensino/Pesquisa Centro de Letras e Artes
A ideia de elaboração de uma Poética pajé tem como finalidade retirar a filosofia prática xamânica do fundo do cenário da floresta e levá-la para a boca de cena de uma figuração plurinacional brasileira. Quer, com isso, gerar sentidos por meio de alianças e copresenças interétnicas, interartísticas, intertextuais, deixando-se impregnar, em sua tessitura de construção de linguagem, por movimentações de interfaces entre, principalmente, a literatura, a antropologia, a performance. Para tal, parte da complexa concepção onírico-vivencial-relacional do plano de experiência invisível da existência xamânica para, por um lado, fazer uma re-visão de alguns autores e obras literárias e cênico-performáticas modernas; e, por outro, investigar ressonâncias e reverberações dessa concepção no campo das letras, artes, vozes contemporâneas. Duas Poéticas se aproximam de nossa Poética pajé por, entre outras proposições, combaterem o antropocentrismo logocêntrico ocidental. A Zoopoética, que parte do estatuto de sujeitos dado aos animais, e o Pensamento Vegetal, que afirma que há inteligência, sensibilidade, uso de linguagem entre as plantas. Nossa Poética pajé, animista-imanente, traz um quadro epistemológico que não só historiciza a natureza como, também, dá identidade cultural às espécies que a compõem, exigindo que as relações com os princípios vitais não humanos (animais, vegetais, minerais) sejam, politicamente, tão mediadas quanto as relações humanas. Pois, o que o xamã faz, ao adentrar o passado contínuo mitopoético, é lidar com um tipo de povo que não é humano nem animal, produtor de uma civilização outra, terceira, que guarda toda a sabedoria da vida no planeta: os seres-imagens dos espíritos. Nossa Poética pajé visa, assim, colocar em interação com a civilização ocidental, proposições estético-vivenciais de sabedorias e filosofias práticas extraocidentais - duramente reprimidas ao longo de séculos de colonialismo, vigente fortemente até os dias de hoje.