Resumo do Projeto
É fato que, na contemporaneidade, existem diferentes possibilidades de espaços teatrais, variando desde os edifícios especificamente construídos para abrigar o evento teatral aos espaços alternativos como galpões, igrejas, hospitais e até mesmo o espaço público, ocupados por coletivos ou diretores mais arrojados. Recorrendo aos teóricos Kevin Lynch e Michel de Certeau, o estudioso de teatro Marvin Carlson afirma que apesar de o teatro ter sempre mantido algumas de suas modalidades no espaço aberto ao longo dos séculos, a partir da segunda metade do século XX, este fenômeno tem se intensificado (Carlson, 2014: 20). Esta migração esporádica do espaço tradicional destinado ao teatro para diferentes espaços ou ambientes urbanos não especificamente construídos para abrigar o espetáculo teatral, incluindo espaços idealizados por breves períodos, transformou a própria cidade em um lugar de interação sociocultural, criando espaços transitórios para as artes performáticas. Face à esta constatação, a pesquisa ainda em andamento sobre a historiografia da arquitetura teatral despertou a necessidade de investigar e discutir as questões pertinentes à resiliência e à transitoriedade deste tipo de arquitetura, estabelecendo, primeiramente, os conceitos desses dois termos aplicados à pesquisa, buscando verificar o que tem ocorrido na história contemporânea da arquitetura para, em seguida, analisar as contribuições de quatro arquitetos selecionados que souberam interpretar e contribuir para a história do espaço teatral neste período, à luz das ideias concebidas por Foucault para as heterotopias (1984) e dos estudos de Certeau sobre as práticas da vida cotidiana (1990 [1980]), acrescidos dos estudos de Norbert Schulz sobre a fenomenologia dos lugares (1980) e do historiador Josep Maria Montaner sobre o contextualismo cultural (2001).