Resumo do Projeto
A pesquisa propõe compreender redes de ativistas e de ativismos relacionadas às prisões que envolvem articulações e deslocamentos de familiares de pessoas presas e que conformam um emergente campo ativista em torno da prisão no Brasil e na América Latina. Investigo as conformações dessas redes de ativistas e descrevo os fluxos de pessoas, informações, categorias e perspectivas políticas produzidas. Para articular atores, categorias, práticas e sujeitos que se movimentam pelo universo empírico, proponho um enquadramento analítico em três eixos conceituais que abarcam gênero, agência e a sacralidade das mães; prisão, Estado e processos de criminalização; e os agenciamentos de narrativas de sofrimento e humilhação, assim como seus limites. Trata-se de um esforço de mapear um tipo particular de ativismo que nos conta sobre agenciamentos e limites a partir das movimentações, articulações e produção de saberes construídos desde uma perspectiva de pessoas diretamente afetadas pelas prisões, ainda que não estejam elas mesmas privadas de liberdade. A abordagem metodológica se fundamenta em uma etnografia multissituada composta por observação participante, realização de entrevistas e análise de documentos. A pesquisa se fundamenta em uma inserção na Associação de Familiares e Amigos de Presas/os (Amparar), tendo como ponto de partida as redes de ativistas desta associação.