Resumo do Projeto
A Teoria Sociológica e a Psicanálise apontaram, desde o seu nascimento, a impossibilidade da sociedade moderna harmonizar particularismos num suposto universal pacífico, insistindo na permanência do conflito de classes sob o capitalismo, da anomia, do mal-estar na civilização. As expressões musicais modernas e contemporâneas expressam essas tensões das sociedades ocidentais e, em se tratando de um país colonizado e dependente como o Brasil, trazem também o particularismo das tradições indígenas invadidas, das violentamente transladadas da África, e das européias desenraizadas e transportadas para terras tropicais. A arte via de regra torna-se forma através da qual a cultura absorve, dissemina e expande o que as teorias acadêmicas pouco conseguem comunicar. Nesse sentido, o samba e a música popular brasileira podem ter sido – e ser – um modo através do qual povos compuseram angústias e alegrias vividas ao longo do tempo, podendo expor visões de mundo que formaram – e formam – o encontro, mais ou menos tenso, mais ou menos hierárquico, de culturas que formaram o Brasil. Analisar a expressão e consumo musical a partir da Teoria Social – psicanálise, política e sociologia –, das teorias da modernização e da dependência, constitui um meio privilegiado de acessar a autocompreensão do país, bem como reconhecer nela a influência da produção acadêmica das teorias sobre o Brasil.