Nº P0073/2014 Identificador do Projeto

Resíduos Compartilhados: Processos de Hibridização na Música Eletroacústica e no Vídeo-Música

Música
#Hibridização #Música Eletroacústica #Música Eletrônica #Vídeo-Música
Coordenador MARCELO CARNEIRO DE LIMA
Situação & Vigência
Em andamento
15/07/2014 30/10/2026
Unidade Responsável Departamento de Composição e Regência
Centro de Ensino/Pesquisa Centro de Letras e Artes
Este projeto propõe o estudo dos processos de hibridização na música eletroacústica e no vídeo-música. A nossa hipótese preliminar é a de que é possível verificar, tanto para o vídeo, quanto para a música, as estratégias e técnicas composicionais que dão origem ou são originadas por estes processos. Desta forma traçamos dois objetivos: o primeiro é o de compor a partir das estratégias e técnicas verificadas (além das obras, papers e artigos deverão ser criados); o segundo é propor práticas pedagógicas que reflitam, apliquem e desenvolvam em sala de aula estas técnicas e estratégias. As práticas pedagógicas poderão ser aplicadas na disciplina Composição Eletroacústica do bacharelado em composição do IVL, ou em pesquisas de iniciação científica, projetos de extensão, ou de pós-graduação da Unirio. Supomos que tanto na composição audiovisual (vídeo-música), quanto na música eletroacústica, estes processos de hibridização são uma constante: o vídeo-música como produto híbrido entre música eletroacústica, videoarte, cinema expandido e videoclipe; a música eletroacústica (acusmática) como fusão da Musique Concrète e da Elektronishe Musik, que em seguida se amálgama às práticas instrumentais (música mista e eletrônica em tempo real); as hibridações sonoras e visuais com a música popular (música eletrônica pop, vídeos dos VJs, electro-rock, rock alternativo); a hibridação com as imagens do vídeo na formação do vídeo-música. A noção que utilizamos para processos de hibridização é a de Néstor Garcia Canclini, que os vê como fenômenos que flexibilizam concepções identitárias e territoriais; fenômenos estes que se aprofundam no atual estágio de globalização sócio-político e cultural. O autor analisa tanto as condições de surgimento destes processos, quanto as resistências que sofrem no âmbito de grupos especializados, nas práticas, nos comportamentos e nos consumos culturais que se localizam em territórios outrora bem delineados, mas agora porosos e permeáveis. É na questão das identidades culturais e territoriais que correlacionamos a noção de processos de hibridização com os conceitos de ritornelo, ritmo e território de Gilles Deleuz e Félix Guattari. Os territórios se flexibilizam, se desfazem e ressurgem como outros; as identidades heterogêneas se misturam, se confundem, se homogenizam. A homogeneização é a resultante do processo de hibridização. Um híbrido. Uma obra híbrida (vídeo ou música) pode apresentar resíduos das práticas de origem; resíduos estes que são índices dos processos de hibridização. Identificar estes resíduos permitirá reconstituir os processos e desvendar o seu modus operandi. Desta forma, será possível encontrar os elementos técnicos e as estratégias utilizadas para a composição da obra. Propomos dois casos possíveis: ou o resíduo diz respeito ao compartilhamento de traços das práticas originais presentes nas formas híbridas (àquelas que passaram por processos de hibridização), ou ele diz respeito aos componentes que ativam os processos de hibridização: elementos comuns entre duas práticas e que as torna mutuamente permeáveis, favorecendo a formação daquele processo. No primeiro caso revertemos o processo para identificar as técnicas e estratégicas composicionais utilizadas; no segundo, identificamos as possibilidades latentes para engendrar um processo de hibridização em cada prática isolada. Nossa pesquisa se limitará ao primeiro caso.