Resumo do Projeto
O diagnóstico de certeza da doença de Alzheimer, causa mais comum de demência, ainda é um desafio, pois depende do exame histopatológico, raramente feito in vivo na prática clínica. Por isso, há uma busca contínua por métodos que aumentem a precisão diagnóstica. A dificuldade se torna ainda maior quando se considera o comprometimento das artérias penetrantes, que produzem infartos na substância branca dos hemisférios cerebrais e da ponte, configurando a condição de “demência mista”, ou seja, degenerativa e vascular associadas. O estudo “Comprometimento Cognitivo e Carga de Lesão Cerebral na Demência de Alzheimer” se propõe a descrever e quantificar as alterações encontradas nas imagens de Ressonância Magnética de 15 pacientes com diagnóstico clínico de Demência de Alzheimer e 15 controles normais pareados para sexo, idade e escolaridade, de acordo com as escalas de Fazekas et al. (1987) e Scheltens et al. (1992), correlacionando-as com a cognição global aferida pelas adaptações brasileiras do Mini-Mental State Exam e pelo Montreal Cognitive Assessment. Assim, o objetivo primário do estudo consiste em avaliar a relação entre o grau de lesão cerebral e o status cognitivo, levando em consideração (i) o cérebro como um todo e (ii) as diferentes regiões cerebrais em quatro planos axiais buscando testar a hipótese nula (H0) da ausência de correlação entre carga de lesão e desempenho cognitivo global. O estudo foi desenhado para distinguir a carga de lesão vascular e o grau de degeneração neuronal primária para permitir análise independente do impacto de cada um desses fatores no desempenho cognitivo. As possíveis associações anatomoclínicas resultantes desse estudo ainda não foram bem investigadas e poderão contribuir para aumentar a precisão diagnóstica, tanto da demência de Alzheimer, quanto da demência mista. Não haverá manipulação ou intervenções nos participantes do estudo, uma vez que todas as informações já foram coletadas e devidamente armazenadas ao longo dos últimos 5-7 anos.