Resumo do Projeto
A depressão é um distúrbio neuropsiquiátrico que afeta cerca de 7% da população global, com uma etiologia complexa e abrangente, tendo suas causas associadas à depleção de neurotransmissores, inflamações, polimorfismos genéticos e, mais recentemente, ao sistema entérico. A comunicação entre cérebro e intestino ocorre através do eixo conhecido como cérebro-intestino-microbiota (MGB), a partir de interações com sistema nervoso central, o sistema neuroendócrino, neuroimunológico, o sistema nervoso autônomo, entérico e intestinal. É sabido que o estresse é um fator determinante em muitos distúrbios mentais, sendo que o estresse crônico variado (ECV) em modelo animal é amplamente utilizado como ferramenta de investigação dos efeitos ambientais sobre o neurodesenvolvimento e precipitação destes transtorno, e mais recentemente, na investigação do provável envolvimento dos estímulos ambientais com as alterações na microbiota. Atualmente, muitos estudos têm evidenciado a intrínseca relação entre o cérebro e a flora intestinal, porém o modo como essa comunicação ocorre e, principalmente, o momento no qual alterações na flora intestinal podem causar alterações comportamentais ainda são campos a serem explorados. Desse modo, o seguinte estudo propõe investigar os efeitos da transferência da flora intestinal proveniente de camundongos submetidos ao ECV para fêmeas gestantes, a fim de avaliar as possíveis alterações no neurodesenvolvimento da sua prole, e possíveis consequências comportamentais na vida adulta. Também é objetivo investigar os efeitos da colonização pós-natal da prole pela microbiota alterada de camundongos submetidos ao ECV no desenvolvimento da doença. Por fim, também será investigado se a exposição das fêmeas gestantes e das proles pós-natal à microbiota alterada será capaz de induzir comportamento depressivo nos indivíduos quando adultos, além de caracterizar as mudanças nas microbiotas dos animais submetidos ao ECV das fêmeas gestantes e das proles dos experimentos.