Resumo do Projeto
Dando continuidade a pesquisas anteriores, pretende-se fundamentar a ideia de um novo teatro político e pedagógico não mais assentado na noção moderna de representação, tampouco apenas na pós-moderna de presença, mas na premissa decolonial da representatividade. Considerando os marcadores de gênero, raça e classe, o recorte da investigação abrange espetáculos performativos contemporâneos marcados pelo protagonismo de sujeitos historicamente subalternizados: artistas da favela, artistas negros, artistas indígenas, artistas feministas, e artistas dissidentes de gênero e/ou sexualidade. A hipótese é de que uma nova cena socialmente engajada vem emergindo com a presença de sujeitos marcados por localizações sociais dissidentes, que nos convocam a uma ética situada (Mombaça 2021) relacionada ao imperativo de falar a partir de uma percepção densa de nossas próprias posições (idem.). Atravessado pelo debate decolonial, o projeto tem como objetivos principais identificar dispositivos performativos e de encenação criados para alterar no aqui, agora da cena regimes hegemônicos de visibilidade, fala e escuta; assim como investigar articulações entre aqueles dispositivos e o desenvolvimento de metodologias inovadoras para o ensino do teatro. Atenção especial será dada a uma reflexão sobre os paradoxos da representação e da representatividade de sujeitos subalternizados no teatro, assim como sobre os limites e desafios da aliança branca e cisgênera no mesmo contexto. Espera-se que as formulações elaboradas na pesquisa resultem num conjunto de publicações, cursos, e eventos científico-culturais, abrindo ainda caminho para uma investigação artística situada em minha própria experiência como mulher, lésbica e mãe. Por fim, o projeto visa ainda a formalização de um novo grupo e um novo laboratório de pesquisas, fomentando investigações téorico-práticas em diversas modalidades, inclusive por meio de ações de internacionalização.