Resumo do Projeto
Esta pesquisa investiga a intersecção entre escravidão, cidadania e a formação de regimes raciais nas Américas durante o longo século XIX. O projeto revista as interpretações sobre os legados do colonialismo e da escravização de populações indígenas e africanas entre os séculos XVI e XVIII, e pretende investigar as transformações dos regimes de escravidão e de raça a partir da Era das Revoluções. O avanço do capitalismo industrial provocou efeitos contraditórios nas economias escravistas nas Américas, levando ao declínio de zonas de plantation tradicionais e o avanço de novas fronteiras agrícolas no Brasil, em Cuba e nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o constitucionalismo e os regimes de cidadania e de direitos civis e políticos provocaram transformações em hierarquias sociais e raciais no continente. Submetidas a escravização e/ou assimilações parciais à cidadania, populações indígenas, africanas e mestiças se adaptaram aos novos sistemas políticos e instituíram novas práticas de resistência, dentro ou fora dos marcos legais e institucionais. A ascensão de movimentos abolicionistas e a radicalização do ativismo ocorreu de forma integrada à atuação desses sujeitos subalternos, que contribuíram à sua forma para a conquista de direitos e a definitiva abolição do cativeiro. Essas transformações se expressaram de forma desigual pelos territórios das Américas, dando origem a sistemas econômicos e políticos e regimes raciais distintos. Portanto, essa pesquisa tem por objetivo investigar as transformações dos regimes escravistas e raciais a partir da Era das Revoluções e perpassando os movimentos e lutas que levaram à abolição da escravidão e reivindicaram a extensão da cidadania e dos direitos políticos após a emancipação nas Américas.