Resumo do Projeto
O projeto aborda o atual contexto de emergência planetária como fruto de um modelo de desenvolvimento capitalista colonialista que produz, simultaneamente, desequilíbrio ambiental, desigualdade social e sofrimento psíquico. A proposta é de superação do modelo escolar ocidental eurocêntrico enraizado na falsa premissa primordial da modernidade - de separação humano-natureza - por meio da criação de metodologias de educação infantil e de formação de educadoras/es. Toma-se como problema central a situação de emparedamento escolar, dispositivo pedagógico que, ao manter as crianças prioritariamente em espaços fechados, contraria impulsos biofílicos à proximidade, contribuindo para a formação de pessoas alienadas de si e da Terra. Na contramão do quadro de insalubridade planetária/adoecimento humano, a pesquisa pergunta: quais princípios e subsídios podem orientar propostas pedagógicas biocêntricas anticolonialistas que contribuam para a integridade das crianças e do planeta, constituindo-se como vias de cuidado dos territórios escolares e de resistência ao Antropoceno? A experiência de educação escolar indígena, especialmente a do povo Tupinambá de Olivença, evidencia possibilidades de desemparedamento por meio de criação de metodologias contracoloniais teórico-brincantes, que articulam apropriação teórica com proximidade da infinidade de modos de expressão da natureza, experiências de grupalização, vivências corporais e estéticas. Referenciada em filosofias originárias e epistemologias afroameríndias brasileiras, a proposta tem a pesquisa-intervenção como abordagem metodológica que possibilita não apenas compreender a ação, mas impulsioná-la, tornando-a processo contínuo de transformação. A cartografia é utilizada como instrumental que acompanha os processos de mudança e vislumbra novas direções para a pesquisa, a partir das singularidades de cada território, das experiências dos participantes e do estreitamento de alianças, incluindo as crianças.