Nº P0046/2023 Identificador do Projeto

Capelas e capelanias testamentárias na “economia da salvação” do Rio de Janeiro colonial (1750-1812)

História
#TESTAMENTO #CAPELANIA #BANCO DE DADOS #REFORMAS POMBALINAS
Coordenador CLAUDIA RODRIGUES
Situação & Vigência
Em andamento
01/05/2023 31/08/2026
Unidade Responsável Departamento de História
Centro de Ensino/Pesquisa Centro de Ciências Humanas e Sociais
A pesquisa investiga o estabelecimento de capelas e capelanias testamentárias por moradores da freguesia da Sé/Santíssimo Sacramento da Antiga Sé, na cidade do Rio de Janeiro, entre a metade do século XVIII e o início do XIX. Os testamentos feitos antes da morte por moradores católicos desta paróquia e transcritos pelos párocos e seus coadjutores nos livros de óbito desta freguesia constituem uma das principais fontes da investigação. Uma das metas da pesquisa é inserir em Banco de Dados o total de 964 testamentos pertencentes ao acervo do Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, distribuídos entre quatro códices de assentos paroquiais de óbitos da Sé/Santíssimo Sacramento da Antiga Sé e relativos aos anos de 1746 a 1812. Por meio da combinação dos métodos serial e quantitativo (tendo como base registros paroquias de óbitos dos códices estudados) e do estudo de casos (envolvendo testadores de uma mesma família que, com o passar das gerações, tenham deixado registradas suas “últimas vontades” junto aos párocos), os dados dos testamentos serão analisados com vistas a identificarmos de que forma a prática de imobilizar bens em prol da realização do maior número de missas em benefício da salvação da alma foi utilizada por diferentes indivíduos da elite social da época. Na escatologia católica de uma sociedade profundamente hierarquizada como aquela, tal prática permitia condições diferenciadas para libertar a alma dos cárceres do Purgatório e garantir com maior segurança e brevidade a salvação das pessoas que pudessem investir neste sentido. O estudo analisa o desenvolvimento e as características desta prática e as eventuais mutações que sofreu ao longo do período selecionado, tendo como ponto de inflexão a conjuntura pombalina na qual uma série de medidas legais foi implementada, na década de 1760, a fim de limitar um costume que canalizava parte das fortunas dos ancestrais para o clero e as instituições eclesiásticas, em detrimento da família consanguínea, além de imobilizar usos que poderiam ser dados às terras numa perspectiva fisiocrática. Ao investigar os impactos da legislação pombalina sobre uma prática soteriológica por excelência, pretendo compreender uma das dinâmicas da “economia da salvação” entre os afortunados naquela sociedade escravista e profundamente hierarquizada.