Nº P0045/2024 Identificador do Projeto

Das Ações sociais às Vivências intencionais. Reexame do sentido e da pertinência de análises fenomenológicas para o esclarecimento da interação comunicativa constituinte do mundo social.

Filosofia
#Ontologia Social #Interação Comunicativa #Ação Social #Fenomenologia
Coordenador DARIO ALVES TEIXEIRA FILHO
Situação & Vigência
Em andamento
10/04/2024 09/04/2027
Unidade Responsável Departamento de Filosofia
Centro de Ensino/Pesquisa Centro de Ciências Humanas e Sociais
Particularmente na segunda metade do século XX, predominou a visão de que a fenomenologia, enquanto análise descritiva eidética de vivências intencionais e, em suma, enquanto tributária de uma conceitualidade proveniente da filosofia da consciência, estaria comprometida com uma posição basicamente solipsista e monológica que, nessa medida, a tornaria inapta para a abordagem dos fenômenos interativos e coletivos característicos vida social, os quais requereriam antes — assim seguia certa argumentação padrão — uma análise em termos de uma teoria da ação e, mais especificamente, de uma pragmática da comunicação discursiva. Essa visão estabelecida fez então com que se negligenciasse quase completamente o fato de que, desde muito cedo, a fenomenologia tenha sim empreendido, e de maneira rica e diversa, análises descritivas eidéticas dos fenômenos da interação social e, particularmente, da comunicação discursiva e, sobre essa base, tenha até promovido pioneiramente a própria ideia de uma ontologia social fenomenologicamente esclarecida, vale dizer, de uma ontologia cujas categorias materiais demarcadoras de sua região de fenômenos seriam fixadas a partir de suas fontes no modo mesmo de dar-se do mundo social em correlação com modos de consciência constitutivamente intersubjetivos. Esse cenário desfavorável vem sendo redefinido por uma revalorização contemporânea de noções intencionais — a começar, particularmente, pela noção de intencionalidade coletiva — para a compreensão da natureza e possibilidade de aspectos constitutivos da realidade social, tais como a ação cooperativa, o assentimento tácito a normas coletivas e a institucionalização de práticas compartilhadas. Visto que uma tal revalorização, apenas iniciada, enfrenta dilemas quanto a como entender tais noções intencionais na abordagem de grupos e coletividades — e, especialmente, quanto a elas pressuporem ou não um individualismo metodológico que implicaria, de saída, a interpretação da realidade social como fenômeno de algum modo só derivado de (e, assim, redutíveis a) atitudes intencionais individuais —, torna-se pertinente reexaminar as abordagens do mundo social que foram articuladas a partir das análises concretas que a orientação fenomenológica promoveu da interação comunicativa, reconhecida agora como central para o programa de esclarecimento das categorias básicas da realidade social simbolicamente mediada.