Resumo do Projeto
A alimentação de coletividades refere-se a produção e fornecimento de refeições aos mais diversos grupos de pessoas, o que envolve desde o planejamento de cardápios e compras até a gestão da produção e do trabalho em estabelecimentos como: restaurantes ou refeitórios em indústrias, universidades, hospitais, escolas, penitenciárias, bem como restaurantes comerciais, comissarias, hotéis e cozinhas comunitárias. Considerando esse universo, este projeto busca estudar a produção de sentidos e significados das práticas em alimentação de coletividades, com foco em aspectos culturais, de trabalho e saúde. Assumindo uma abordagem sociocultural da alimentação, entendemos que os modos de comer fora de casa estão em transformação e interessa-nos entender melhor como isso vem acontecendo e as suas implicações, especialmente em relação à segurança alimentar e nutricional. Há tempos as recomendações nutricionais para promoção da saúde e controle de doenças influem na seleção de cardápios, mas atualmente as preocupações com a sustentabilidade, tanto ambiental quanto social e econômica, têm sido alvo de atenção. Nesse sentido, os incentivos para aquisição de gêneros da agricultura familiar e a oferta de refeições vegetarianas são mudanças que vêm sendo observadas. Por outro lado, a ampliação no uso de vale-refeição, a precarização das relações de trabalho e a ascensão dos aplicativos de entrega impactam a oferta de refeições e os modos de comer, especialmente no espaço urbano. A pesquisa se inscreve em uma abordagem qualitativa e de acordo com os objetivos específicos serão empregadas como estratégias metodológicas: (a) revisão da literatura sobre a relocalização das refeições, reforma trabalhista e sustentabilidade em restaurantes; (b) levantamento documental de fontes estatísticas e não estatísticas de indicadores de rendimento e emprego, de segurança alimentar e nutricional, de modalidade de oferta de refeições, de uso de vale-refeição, de uso de aplicativos de entrega de refeições e alimento; (c) análise de publicações jornalísticas sobre delivery de comida e sustentabilidade em restaurantes; (d) observação direta em restaurantes; (e) questionário online para nutricionistas; (f) entrevistas com nutricionistas e trabalhadores formais e informais; (g) grupos focais com nutricionistas.