Resumo do Projeto
Ambientes digitais acessíveis não devem apresentar barreiras de acessibilidade a nenhuma pessoa, independentemente de particularidades física, intelectual ou sensorial. Porém, mesmo diante de leis, padrões e diretrizes de acessibilidade, muitos desses ambientes permanecem inacessíveis às pessoas com deficiência, afetando o direito à acessibilidade e a outros direitos fundamentais. Essenciais para a disseminação do conhecimento científico, as produções técnico-científicas e os ambientes nos quais são disseminadas são espaços nos quais a acessibilidade é crucial. Portanto, questiona-se: ambientes digitais onde é disponibilizado o conhecimento produzido por pesquisadores, muitas vezes financiado por fundos públicos, cumprem leis e padrões de acessibilidade para pessoas com deficiência? Para responder à questão objetiva-se investigar como se configuram as políticas, práticas e ações de (in)acessibilidade para pessoas com deficiência em produções técnico-científicas brasileiras e nos ambientes digitais nos quais são disponibilizadas. Propõe-se pesquisa descritiva, de abordagem multimétodo, com quatro etapas articuladas. A primeira etapa visa ao levantamentos bibliográfico e documental para embasamento teórico. A segunda etapa objetiva identificar e caracterizar produções técnico-científicas e ambientes digitais para serem inspecionados, adotando-se o método de avaliação heurística por lista de verificação. A terceira etapa concentrará análises críticas, alinhadas ao campo dos Estudos da Deficiência, por meio das quais pretende-se evidenciar as relações entre o contexto sociocultural, fundamentando em normas capacitistas, e as demandas e os desafios para efetivação da acessibilidade nesses ambientes digitais. A quarta etapa contemplará a proposição de recomendações e materiais adequados à realidade brasileira, derivados das etapas anteriores. Espera-se, como resultado, ampliar a compreensão das políticas, práticas e ações de (in)acessibilidade para pessoas com deficiência em produções técnico-científicas brasileiras e em seus ambientes digitais. Ainda, espera-se promover publicações, formação de recursos humanos e debates que abarquem discussões acerca dos marcos legais de acessibilidade; do princípio da equidade que deve guiar as configurações dos ambientes digitais; do direito incondicional à singularidade e da remoção de barreiras que obstaculizam a igualdade de oportunidades para acesso e uso da informação digital por todas as pessoas.