Resumo do Projeto
O sistema endocanabinoide (SEC) tem ganhado destaque por sua atuação na homeostase, modulação da dor, imunidade, humor, memória, metabolismo e controle endócrino, especialmente em mamíferos. Seus principais ligantes endógenos, a anandamida (AEA) e o 2-araquidonoilglicerol (2-AG), são classicamente definidos como neuromoduladores lipofílicos produzidos sob demanda, com ação retrógrada. Os endocanabinoides ativam principalmente receptores canabinoides do tipo CB1 e CB2. Ambos os receptores são acoplados à proteína Gi/o, que inibe a adenilil ciclase e ativa vias como a da MAP quinase. Além de CB1 e CB2, os endocanabinoides também modulam receptores PPAR-/, TRPV1 e receptores órfãos, como GPR55, GPR119 e GPR18. O SEC pode ser regulado por flutuações hormonais. Em homens, já foi demonstrado uma maior disponibilidade de receptores CB1, embora os dados sejam inconsistentes. Além disso, estradiol e testosterona modulam negativamente expressão de CB1, CB2, FAAH e NAPE-PLD; o estradiol reduz a FAAH, responsável por hidrolisar a AEA, e eleva AEA, enquanto endocanabinoides inibem a liberação de Hormônio Liberador de Gonadotrofina (GnRH) por meio da supressão GABAérgica e afetam a secreção de LH e esteroides sexuais via CB1 sobre áreas como hipocampo e córtex pré-frontal. Entretanto, estudos sobre o papel da sinalização de hormônios sexuais sobre a modulação do SEC em astrócitos humanos permanece pouco explorada. O SEC astroglial regula eventos biológicos como flutuações de cálcio intracelular, liberação de glutamato, plasticidade, metabolismo energético, resposta inflamatória em doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer. Astrócitos possuem um SEC funcional, com enzimas para síntese/liberação de AEA e 2-AG, além de receptores GPR55, GPR18, TRP e PPARs (19, 6). Neste contexto, este projeto propõe investigar as interações entre hormônios sexuais e o SEC em astrócitos humanos mantidos em cultura.