Nº P0014/2022 Identificador do Projeto

Adormecer sobre trilhos: políticas e memórias insubmissas da 'vagabundagem"

Letras
#políticas #memórias #linguagens #vagabundagem
Coordenador MANOEL RICARDO DE LIMA NETO
Situação & Vigência
Em andamento
01/03/2022 31/08/2026
Unidade Responsável Departamento de Letras
Centro de Ensino/Pesquisa Centro de Letras e Artes
O presente projeto, num desdobramento e numa expansão ao anterior, pretende estabelecer estudos e pesquisas a partir de uma proposição corajosa lançada pelo escritor americano Jack London em ‘De vagões e vagabundos – memórias do submundo’: “adormecer sobre trilhos”. Ele desenvolve a questão numa série de narrativas-ensaio e as lança no que chama de uma “paixão pelo socialismo”. Faz isso entre memórias e circunstâncias políticas insubmissas em torno de uma ideia livre e ecológica, a vagabundagem, sugerindo-a como um jogo de forças contra as inferências sistêmicas e industriais do capitalismo moderno. Assim, num percurso da luta das imagens que vêm da literatura, das artes visuais e do cinema, de modo interdisciplinar, visa-se imaginar o desvio crítico produzido pela vagabundagem, principalmente, como ponto de insurgência e como tomada de posição política. A ideia vem também da participação efetiva como líder do Grupo de Pesquisa Linguagem, Artes e Política [CNPq/UNIRIO], tendo como princípio contribuir para ampliar a discussão em torno das relações entre literatura e outras artes, memória e política, e também articular relações em torno de uma ideia-conceito de vagabundagem que trafega pelo zen [orientalismo] e por um deslocamento do corpo [no ocidente, da viagem até a rua como morada] a partir de um cruzamento de sentidos entre os mais diferentes jogos e expressões da linguagem. Esses estudos partem também da proposição da escritora Maria Gabriela Llansol, a de que os poetas, de certo modo, têm uma grande afinidade que os liga aos vagabundos, o que entende como uma morfologia da terra; e, ao mesmo tempo, de Euclides da Cunha, ao sugerir uma ‘fácies geográfica’ que fixa o homem ao próprio corpo e à terra, mapeado, numa alocução e numa afronta a toda alteridade. Segue-se, por exemplo, com o pensamento teórico de Carlo Rovelli, Jacques Derrida, María Zambrano, Pier Paolo Pasolini, Simone Weil e Walter Benjamin e, ainda, com algumas reconfigurações elaboradas por Andi Nachon, Fernand Deligny, Gary Snyder, Jean-Luc Nancy, Maria Filomena Molder, Silvina Rodrigues Lopes e Raúl Antelo, entre outros. Isso para engendrar uma insubmissão e a uma insubmissão, o que Pasolini tomaria como pontos de insurgência, numa geografia imaterial que se contraponha aos usos absolutos e inflacionados [entre controle e poder] das línguas e das imagens em seus estatutos nacionais de fronteira e em suas memórias institucionalizadas, manipuladoras e fixas.