Resumo do Projeto
O ato de alimentar incorpora-se tanto a satisfação das necessidades do organismo quanto a uma forma de agregar pessoas e unir costumes, representado, assim, um ótimo método de socialização. Os padrões alimentares de um grupo sustentam a identidade coletiva daquela população, além da sua posição na hierarquia, na organização social, mas, também, como determinados alimentos são colocados para garantir uma identidade (FISCHLER, 1988; SUELI, 2001).
Sabe-se que a alimentação é uma necessidade fisiológica básica, e que, além disso, é um direito humano garantido no artigo 6º da Constituição Federal.
"Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da constituição.”
Entretanto, a alimentação não é apenas um direito humano, mas um ato sujeito a tabus culturais, crenças, diferenças no âmbito social, étnico, filosófico, religioso e regional que originam e caracterizam seus hábitos alimentares. Mezomo (2002) define hábitos alimentares como os atos concebidos pelos indivíduos em que há seleção, utilização e consumo de alimentos disponíveis. Estes formaram-se a partir da miscigenação das culinárias indígena, portuguesa e africana e, com o decorrer do tempo, foram adquirindo características e peculiaridades.
O Brasil é um país caracterizado por uma diversidade de alimentos e preparações presentes em sua culinária que são originados dos povos indígenas, portugueses, africanos e europeus que participaram de nossa colonização. Foi, então, que esses grupos se aglutinaram e através de suas culturas, religiões e alimentação formaram o Brasil. Assim, cada região do país desenvolveu uma cultura popular rica e diversificada, onde figura uma culinária própria, devido à influência das correntes migratórias e adaptações ao clima e disponibilidade de alimentos (PINHEIRO, 2001; BLEIL, 1998; ABREU et al, 2001).
Historicamente, as migrações humanas aparecem como a grande causa no intercâmbio de alimentos e das novidades ocorridas nas cozinhas diante dos ingredientes e das maneiras de comer.