Orientador(es): PAULO SERGIO MARCELLINI
Área temática: BIIOMEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
O paciente cirúrgico oncológico apresenta elevada vulnerabilidade a riscos no período perioperatório, decorrentes da complexidade técnica do ambiente cirúrgico e de fatores biopsicossociais relacionados ao adoecimento e ao tratamento. A distância temporal entre o agendamento da cirurgia e a visita pré-operatória imediata limita a adoção de medidas preventivas, exigindo novas estratégias de comunicação e de identificação precoce de riscos. A teleconsulta de enfermagem pré-operatória surge como recurso inovador para ampliar a interação entre enfermeiro e paciente antes da internação, favorecendo a orientação, o planejamento de cuidados e a segurança. O presente estudo teve como objetivo desenvolver e validar a teleconsulta de enfermagem pré-operatória como instrumento para reduzir riscos no cuidado ao paciente cirúrgico oncológico. Trata-se de pesquisa de desenvolvimento metodológico feita em quatro etapas articuladas: revisão de escopo sobre fatores de risco, diagnósticos e intervenções de enfermagem no pré-operatório oncológico; elaboração de roteiro para teleconsulta fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas; validação de conteúdo do roteiro por especialistas, com cálculo do Coeficiente de Validade de Conteúdo; e validação clínica por ensaio randomizado, comparando grupo intervenção, submetido à teleconsulta, e grupo controle, assistido pela visita pré-operatória habitual. A revisão identificou 1.047 estudos, dos quais 14 compuseram a amostra final, evidenciando fatores predominantes como ansiedade, medo, desconhecimento sobre o procedimento, questões de segurança física e adesão a orientações. O roteiro final reuniu 52 itens distribuídos em cinco dimensões: identificação do paciente, ciência e autorização do procedimento, necessidades fisiológicas, segurança e acuidade sensorial. A validação de conteúdo obteve índices satisfatórios para clareza e pertinência, enquanto os resultados parciais da fase clínica sugerem que a teleconsulta amplia o acesso à orientação, otimiza a preparação para o ato cirúrgico e contribui para o conforto e a segurança do paciente. Conclui-se que a teleconsulta de enfermagem pré-operatória é uma tecnologia aplicável ao contexto oncológico, com potencial para integrar protocolos assistenciais, fortalecer práticas baseadas em evidências e qualificar o cuidado no Sistema Único de Saúde, recomendando-se estudos futuros para avaliar sua eficácia em outros cenários cirúrgicos e populações.
Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Nacional de Segurança do Paciente. Brasília, 2013. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução COFEN 0696/2022, art.01 de 23 de maio de 2022. Dispõe sobre a atuação da Enfermagem na Saúde Digital, normatizando a Telenfermagem. Disponível em http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-696-2022_99117.html HORTA, W. A. Processo de Enfermagem. 8. ed. São Paulo: EPU, 2019.