Orientador(es): FABIO VERISSIMO CORREIA
Área temática: CIÊNCIAS AMBIENTAIS E DA TERRA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A contaminação por metais emergiu como uma preocupação crescente para os serviços ecossistêmicos, sobretudo em ambientes sob forte pressão antrópica, como os manguezais. Neste contexto, a espécie mangue-branco(Laguncularia racemosa) desempenha papel ecológico essencial e pode atuar como bioindicadora de qualidade ambiental. Este estudo teve como objetivo avaliar a contaminação por metais e metaloides e sua associação com bioindicadores de estresse oxidativo em diferentes tecidos de L. racemosa. Para isso, foram coletados folhas, caules, pneumatóforos e propágulos de indivíduos localizados na Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio de Janeiro, Brasil). As amostras foram liofilizadas, fracionadas e submetidas a análises físico-químicas e bioquímicas. A determinação de metais e metaloides (arsênio (As), cádmio (Cd), mercúrio (Hg) e chumbo (Pb)) foi realizada por ICP-MS após digestão ácida (HNO3). As concentrações de metalotioneína (MT) foram obtidas pelo método de Elman, com leitura a 412 nm em espectômetro UV. A peroxidação lipídica (PL) foi quantificada segundo Esterbauer e Cheeseman (1990), utilizando malondialdeído como padrão externo, com leitura a 532 nm. A concentração de peróxido de hidrogênio (H2O2) foi determinada conforme Alexieva et al. (2001) a 390 nm, utilizando padrão de H2O2. Os dados foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk para verificação da normalidade. As diferenças entre os grupos foram verificadas através do teste de Kruskal Wallis e as associações entre metais e biomarcadores foram verificadas por correlação de Spearman. Todos os elementos foram detectados nos tecidos, exceto Hg nos propágulos. Observou-se variação significativa nas concentrações médias de contaminantes e biomarcadores entre os tecidos (p-valor< 0,05). O pneumatóforo apresentou as maiores concentrações de As, Cd e Pb (0,70 ± 0,21; 0,28 ± 0,12 e 4,72 ± 1,05 mg kg-1 dw, respectivamente). Quanto aos biomarcadores de estresse oxidativo, MT e H2O2 apresentaram maiores concentrações nas folhas (1,31 ± 0,08 e 13,93 ± 0,91 μmol g-1 dw, respectivamente) e as menores nos pneumatóforos (0,38 ± 0,08 e 7,40 ± 1,97 μmol g-1 dw, respectivamente). Em contraste, a PL foi mais elevada nos pneumatóforos (0,01 ± 0,004 μmol mg-1 ptn dw) e mais baixa nas folhas (0,003 ± 0,001 μmol mg-1 ptn dw). Foram identificadas correlações positivas significativas entre As e Cd em caules (r=0,786; p=0,021) e folhas (r=0,905; p<0,01), bem como H2O2 em pneumatóforo e propágulo (r=0,857; p=0,014). Observou-se ainda uma correlação negativa robusta entre As em folha e Hg em caule (r=0,905; p<0,01). Adicionalmente, Cd em pneumatóforo correlacionou-se positivamente com MT em propágulos (r=0,821; p=0,023), sugerindo uma possível via de detoxificação deste elemento nestes tecidos. Os resultados indicam que L.racemosa apresenta capacidade diferenciada de acumulação de metais e ativação de biomarcadores de estresse oxidativo em seus tecidos e serve como relevante bioindicador de qualidade ambiental em manguezais.
ALEXIEVA, V. et al. The effect of drought and ultraviolet radiation on growth and stress markers in pea and wheat. Plant, Cell & Environment, v. 24, n. 12, p. 1337–1344, 2001. ANDRADE, C. L. N. de; CELINO, J. J.; BARBOSA, R. M.; GARCIA, K. S.; ESCOBAR, N. F. C. Biogeoquímica da matéria orgânica e metais em um manguezal na Zona Estuarina Urbana, Bahia, Brasil. Geonomos, v. 20, n. 2, p. 34–43, 2012. JAMBUNATHAN, N. Determination and detection of reactive oxygen species (ROS), lipid peroxidation, and electrolyte leakage in plants. Methods in Molecular Biology, v. 639, p. 292–298, 2010.