Orientador(es): BRUNO FRANCISCO TEIXEIRA SIMÕES
Área temática: MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Considerando a importância de uma alimentação adequada para o alcance de marcos de desenvolvimento e à diminuição da chance de intercorrências clínicas em crianças e a transição alimentar e nutricional evidenciada no país, torna-se necessário realizar essa pesquisa, que teve como objetivo avaliar o impacto da transição nutricional no estado nutricional das crianças de 0 a 5 anos nos municípios brasileiros durante os anos de 2017 a 2022. Trata-se de um estudo ecológico realizado com dados secundários obtidos através do site do SISVAN. Somado aos dados do SISVAN, também foi agregado a base de dados os resultados de uma Análise de Componentes Principais (ACP), somando mais duas variáveis. Foi realizado um Teste de Shapiro-Wilk com o objetivo de verificar a normalidade das variáveis de estado nutricional. Após a verificação da normalidade, foi realizado uma matriz de correlação entre todas as variáveis, com objetivo de identificar possíveis correlações entre as variáveis de consumo alimentar e as de estado nutricional. Por fim, foram realizados mapas com o objetivo de visualizar o comportamento das variáveis nos municípios estudados. Foram encontradas duas correlações significativas envolvendo a variável de altura baixa para a idade, uma em 2017 na região Norte com o CP2 e outra em 2019 na região Centro-Oeste com o CP1, respectivamente -0,3964846 (p-valor = 0,03007) e -0,50175439 (p-valor = 0,0303). Em 2017, na região Norte, foi observada uma correlação moderada positiva entre CP2 e sobrepeso, sendo essa 0,44165091 (p-valor = 0,01455). Também na região Norte, foi encontrado uma correlação moderada inversamente proporcional de -0,38998888 (p-valor = 0,03395) entre CP1 e risco de sobrepeso. Apesar do resultado ser contraditório, considerando que o CP1 desse ano era composto por hábitos alimentares não saudáveis, é importante ressaltar que as alterações no estado nutricional, principalmente em crianças é multifatorial, que possui a influência de outros fatores para além da alimentação. No ano de 2019, foram encontradas correlações na região Norte entre CP1 e risco de sobrepeso, sendo essa de -0,49858837 (p-valor = 0,01944). No ano de 2020, foram encontradas correlações significativas na região Norte entre CP2 e altura baixa e entre CP2 e altura adequada, sendo essas, respectivamente de -0,4086511 (p-valor = 0,0000477) e 0,3734249 (p-valor = 0,0002271). Assim, essas correlações mostram que as variáveis de consumo alimentar saudáveis, estão relacionadas com altura adequada. Apesar das correlações terem apontado resultados contraditórios relacionados a obesidade e sobrepeso, é importante ressaltar que a obesidade é multifatorial, e que esse padrão alimentar pode trazer consequências na vida adulta. No entanto, foi observado que a alimentação não saudável está correlacionada a déficits de estatura. Dessa forma, torna-se claro a necessidade de políticas públicas que visem combater déficits no estado nutricional.
BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 set. 2006. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: análise da segurança alimentar no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. REICHERT, Altamira Pereira da Silva et al. Fatores associados ao registro da alimentação infantil e intercorrências clínicas na Caderneta da Criança. Saúde debate, v. 46, p. 34-44, 2022.