RISCO DE INSEGURANÇA ALIMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ASSISTIDOS POR UNIDADE DE SAÚDE DE MÉDIA COMPLEXIDADE.

ANGÉLICA CASSIMIRO DE OLIVEIRA

Apresentador(es): ANGÉLICA CASSIMIRO DE OLIVEIRA

Orientador(es): GABRIELLA PINTO BELFORT ARAUJO


Área temática: NUTRIÇÃO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a insegurança alimentar (IA) é caracterizada pela falta de acesso regular e permanente à alimentação em quantidade e qualidade suficientes para uma vida ativa e saudável. Dessa forma, a IA pode comprometer a regularidade e a qualidade do acesso aos alimentos entre crianças e adolescentes com condições crônicas, agravando ainda mais os desfechos clínicos e prejudicando a adesão ao tratamento. Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de risco de IA e verificar presença de associação com estado nutricional, em uma população de crianças e adolescentes assistidos por unidade de saúde de média complexidade. Trata- se de um estudo transversal, realizado com crianças e adolescentes que recebem assistência no ambulatório de Nutrição Pediátrica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), Rio de Janeiro-RJ. A amostra por conveniência incluiu todas as crianças ou adolescentes, cujos responsáveis legais aceitaram participar do estudo e que não apresentavam disfagia, transtorno alimentar, câncer ou anorexia. Para esse estudo foram selecionados participantes com idade igual ou superior a 6 anos. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HUGG–UNIRIO/Ebserh (CAAE nº 70003623600005258 e Parecer nº 6.330.979). Os dados sociodemográficos, biológicos, antropométricos e sobre IA foram coletados durante a primeira consulta de nutrição. O risco IA foi identificado por meio da aplicação da Triagem de Insegurança Alimentar (TRIA), instrumento proposto pelo Ministério da Saúde. O estado nutricional foi avaliado segundo o Índice de Massa Corporal para a idade (IMC/I) e pelo índice de estatura para a idade (E/I), por meio do aplicativo Who Anthro Plus®. A classificação do estado nutricional ocorreu conforme recomendação do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). As análises incluíram estatística descritiva e testes de associação (Qui-quadrado de Pearson e Teste Exato de Fisher), realizadas com o software SPSS, 22.0. Foram incluídos neste estudo 66 indivíduos, com idade média de 10,2±2,99 anos. Cinquenta e nove por cento era do sexo masculino, 41% declararam cor de pele parda, 36% residiam na Zona Norte no Rio de Janeiro e 41,5% foram encaminhados para o ambulatório por endocrinologista pediátrico. A prevalência de risco de IA foi de 42,9%. Sessenta e um por cento da amostra apresentou excesso de peso (29,0% sobrepeso; 32,3% obesidade), enquanto 4,8% tinha magreza. Em relação à estatura, 7,6% apresentaram baixa estatura. Não foi identificada associação entre risco de IA e as classificações de IMC/idade (p=0,89) ou de estatura/idade (p=1,00). Contudo, dentre aqueles com magreza, maior número se encontrava em risco de IA. Houve prevalência elevada de crianças e adolescentes com excesso de peso e residindo em domicílios com risco de IA. Não foi observada associação da IA com o estado nutricional. Pretende-se com a continuidade da pesquisa ampliar o número amostral e possibilitar análises estratificadas por faixas etárias.

Bibliografia

BRASIL. Lei n° 11.346, de 15 de setembro de 2006. Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. Dispõe sobre a criação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2006. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Insegurança Alimentar na Atenção Primária à Saúde. Manual de Identificação dos domicílios e organização das redes – versão preliminar. Brasília. Ministério da Saúde 2021. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION (FAO). The state of food insecurity in the world 2006: Eradicating world hunger – taking stock ten years after the World Food Summit. Rome: FAO, 2006.

Palavras-chave

Insegurança alimentar Crianças Adolescentes Doenças crônicas Estado nutricional.
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