Orientador(es): CARLOS EDUARDO BRANDAO MELLO
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Motivação: A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é caracterizada pelo acúmulo de lipídios intra-hepatocitários na ausência de consumo significativo de álcool. Essa condição pode variar de esteatose simples até esteato-hepatite, podendo evoluir para carcinoma hepatocelular. Está frequentemente associada à síndrome metabólica, incluindo HAS, DM2 e obesidade. Estudos recentes têm relacionado a DHGNA a déficits cognitivos, sobretudo atencionais, possivelmente mediados por inflamação sistêmica. Objetivos: Avaliar a presença de prejuízo cognitivo em pacientes não idosos (< 60 anos) com DHGNA em comparação a grupo controle, além de descrever os aspectos antropométricos, clínicos e laboratoriais da amostra. Metodologia: Estudo transversal realizado no ambulatório de Hepatologia do HUGG, incluindo pacientes com diagnóstico confirmado de DHGNA e idade < 60 anos. Foram obtidos dados clínicos, laboratoriais, nutricionais e antropométricos a partir de prontuários e/ou consultas presenciais. A função cognitiva foi avaliada pelo Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Symbol Digit Modalities Test (SDMT) e fluência verbal semântica (COWAT). Sintomas de ansiedade e depressão foram avaliados pelo GAD-7 e PHQ-9, respectivamente, e também foi aplicado o teste computadorizado de atenção sustentada (CVAT). Os resultados foram comparados a um grupo controle com 18 indivíduos, e a análise estatística foi conduzida no software R versão 4.2.2. Resultados: A amostra total foi composta por 21 pacientes, sendo 80% do sexo feminino. A média de idade foi de 41,6 anos, com apenas cinco indivíduos abaixo de 60 anos. Quanto à escolaridade, 40% apresentaram ≥ 12 anos de estudo. O IMC médio foi de 26,46 kg/m², sendo 40% obesidade grau I, 40% obesidade grau II e 20% sobrepeso, enquanto a circunferência abdominal média foi de 105,6 cm. A glicemia média foi de 105 mg/dL e a HbA1c de 5,88%. A prevalência de DM2 foi de 80% e a de HAS de 60%. A fibrose hepática esteve predominantemente nos estágios F0 e F2 (40% cada) e a esteatose moderada em 40% da amostra, com ausência de registro em outros 40%. Nos testes cognitivos, o COWAT (categoria “animais”) esteve alterado em 40% dos pacientes, com média de 54,5 pontos, inferior ao grupo controle (67,9 ± 3,08). O MEEM apresentou alteração em 40% dos avaliados. No SDMT, a média foi de 25,6, contrastando com 39,72 ± 2,56 do controle. No GAD-7, 60% apresentaram ansiedade leve e 20% ansiedade moderada/grave. Pelo PHQ-9, 20% mostraram depressão moderada ou grave. O CVAT foi aplicado, mas os resultados ainda não foram analisados. Conclusão: É possível perceber inicialmente a baixa prevalência de pacientes com DHGNA < 60 anos. Apesar disso observou-se desempenho cognitivo inferior ao grupo controle, sobretudo nos testes COWAT e SDMT, em associação à elevada frequência de comorbidades metabólicas. A ampliação da amostra será necessária para esclarecer de forma mais robusta o impacto cognitivo e atencional da DHGNA.
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