AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO LIPÍDICA E DA PRESENÇA DE MICOTOXINAS EM FÓRMULAS INFANTIS PARA PRIMEIRA INFÂNCIA

ANA CLARA DE FIGUEIREDO SOARES, MARIA JANINE PEREIRA DE AZEVEDO, JULIANA CÔRTES NUNES DA FONSECA, OTNIEL FREITAS SILVA, DAVY WILLIAM HIDALGO CHÁVEZ, ANDRESSA CARLA FEIHRMANN, SIMONE AUGUSTA RIBAS

Apresentador(es): ANA CLARA DE FIGUEIREDO SOARES

Orientador(es): SIMONE AUGUSTA RIBAS


Área temática: CIÊNCIA DE ALIMENTOS

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

Após o primeiro ano, fórmulas lácteas comerciais (FLC) têm sido oferecidos como opções de substitutos do leite materno ou do leite de vaca pela indústria para crianças acima de 1 ano, apesar de serem contraindicados pelo Ministério da Saúde antes dos dois anos de idade, por serem alimentos ultraprocessados, evidenciando a necessidade de estudos sobre sua composição e impacto na saúde infantil. O objetivo deste estudo foi avaliar a composição lipídica e a presença de aflatoxina M1 em FLC. Dezesseis marcas de FLC foram adquiridas de farmácias e supermercados na cidade do Rio de Janeiro entre 2024 e 2025. As amostras foram recodificadas de A a Q e agrupadas em cinco categorias de acordo com a fonte lipídica empregada: gordura láctea (L, n=2), óleo vegetal + gordura do leite (LV, n=3), óleo vegetal + gordura láctea + óleo de peixe (VPL, n=2), apenas óleo vegetal (V, n=2) e óleo vegetal + óleo de peixe (VP, n=7) (Material Suplementar). O perfil lipídico foi determinado por cromatografia gasosa com espectrometria de massas, o teor de lipídios totais por FTIR (MilkoScan FT1) e a presença de aflatoxina M1 por CLAE/DFL. A análise estatística utilizou o teste de Scott-Knott, com significância de p < 0,05. A partir das análises, constatou-se que a aflatoxina M1 não foi detectada em nenhuma amostra de acordo com a ANVISA (5 µg/kg). Quanto a fonte lipídica, três dos cinco grupos continham gordura láctea, mas 43,4% das amostras (n=7) pertenciam ao grupo VP. Quanto ao teor de lipídios totais, observaram-se variações de até 20% em relação ao rótulo em 6 marcas (B: -40%) e (J, L, M e N: variação de +22,4% a +37,5%). As demais marcas estavam em conformidade com a RDC nº 429/2020. Constatou-se que os teores de ômega-6 variaram de 9,32g (marca O, VPL) a 33,26g (marca Q, VP). Quanto ao ômega-3, os teores variaram entre 0,04% (marca H, grupo V) e 1,5% (marca O, grupo VPL), mostrando maior variação em comparação aos outros tipos de gordura. Na marca D, não foi possível detectar ômega-3. Fórmulas compostas apenas por óleos vegetais apresentaram, em geral, maiores teores de ômega-6 e menores de ômega-3, resultando em uma razão desequilibrada entre esses AG. Já as fórmulas do grupo VP apresentaram maiores teores de DHA e EPA, aproximando-se das recomendações nutricionais vigentes. De acordo com os limites da legislação europeia (EFSA), os níveis de ômega-3 quando detectados, foram muito próximos do valor mínimo recomendado (0,05 g/100 kcal) na maioria das amostras. Já em relação ao DHA, apenas as marcas do grupo VP alcançaram concentrações compatíveis aos parâmetros exigidos. Conclui-se que a composição lipídica das fórmulas analisadas foi heterogênea e a quantidade de ômega 3 estava abaixo do limite preconizado, ressaltando a importância do monitoramento contínuo da composição nutricional desses produtos na indústria pelos órgãos competentes. Em relação a análise aflatoxina M1, o controle sanitário foi considerado adequado durante o processamento.

Bibliografia

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 88, de 26 de março de 2021. Regulamento Técnico sobre limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos. Disponível em: https://alimentusconsultoria.com.br/instrucao- normativa-in-n-88-de-26- de-marco-de 2021-anvisa/. Acesso em: 11 de agosto de 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados. Diário Oficial da União, Brasília, 9 out. 2020. EFSA. Scientific Opinion on nutrient requirements and dietary intakes of infants and young children. EFSA Journal,v.12,n.7,p.3760, 2014. https://doi.org/10.1590/S1415-52732011000200002

Palavras-chave

Fórmulas infantis Primeira infância Ácidos graxos Aflatoxina M1
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