CARTOGRAFIAS NIETZSCHIANAS EM BUTLER

BELLA DE OLIVEIRA VIEIRA DA SILVA

Apresentador(es): BELLA DE OLIVEIRA VIEIRA DA SILVA

Orientador(es): VANIA DUTRA DE AZEREDO


Área temática: FILOSOFIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Introdução: Em nossa ótica, há um núcleo central que possibilita defender uma convergência entre os discursos filosóficos de Nietzsche e de Butler em que pese a distância temporal e a diferença temática constante no conjunto da obra dos dois autores. De modo que propomos a noção de metafísica da substância enquanto elo criador como conceito-chave que estabelece uma ligação entre a dissolução da moral nietzschiana e a gênese da diferença sexual butleriana. Consideramos haver na abordagem de Butler muita proximidade com as tentativas de Friedrich de dissolver as compreensões acerca dos valores conforme uma constituição intrínseca à moral, isto é, aquelas que tomam a moral e os valores como absolutos. Afinal, boa parte da produção intelectual de Judith se debruçou sobre a desconstrução das interpretações sobre o corpo alimentadas por um viés tradicional do saber médico, isto é, essencialistas e binárias – e do reconhecimento de que tais avaliações estavam fora do plano da imanência, em especial a diferença sexual enquanto dado natural. Objetivos: Este texto tem como objetivo analisar as filosofias de Nietzsche e de Butler a partir da proposição de uma aproximação conceitual entre o projeto nietzschiano de dissolução da moral e o propósito presente na gênese da diferença sexual apresentada por Judith em sua obra, especialmente na seção “‘Mulheres’como sujeito do feminismo” presente no primeiro capítulo de seu livro Problemas de Gênero. Metodologia: Em um primeiro momento, nessa fase parcial da pesquisa, analisaremos a relação conceitual entre a crítica butleriana à noção de sujeito do feminismo e o que Nietzsche chama de “erro monstruoso da linguagem” em Sobre verdade e mentira no sentido extramoral. E para que fosse possível caminhar nesse sentido, foi realizada a leitura do livro de Nietzsche: Para a genealogia da moral. Em adição, a obra Problemas de gênero de Butler. Tendo como metodologia a análise textual, temática, interpretativa e, por fim, a síntese dos textos que constam na bibliografia. O trabalho foi desenvolvido através de atividades individuais e encontros semanais online do bolsista e da professora-orientadora. Resultados: Sujeito do feminismo: No que concerne ao sujeito do feminismo, convém principiar pelas considerações feitas no primeiro capítulo da obra Problemas de gênero em que Butler introduz uma crítica à noção de identidade da mulher enquanto sujeito do feminismo. Ao fazê-lo, a autora engendra um deslocamento do movimento feminista pela via da linguagem por meio do reconhecimento de que através do código linguistico se incorre em uma concepção que atua como ficção reguladora responsável por trazer uma univocidade ao múltiplo, conferindo à diversidade dos existentes a unidade do ‘feminino’ presente somente na linguagem. Em vista disso, Judith estabelece que essa ficção nada designa de maneira eficiente quando aponta para a efetividade. Afinal, processa-se, por meio da enunciação da noção de feminino a cristalização da mulher em “mulheridade”, ist

Bibliografia

Referências BUTLER, Judith. Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. Civilização Brasileira; 22º edição (15 abril 2003) NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. Tradução de Paulo César Souza, São Paulo: Brasiliense, 1987. _____________ Para além de bem e mal. Tradução de Paulo César Souza, São Paulo: Companhia das Letras, 1992. _____________ Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral. Editora Hedra, 2007.

Palavras-chave

Nietzsche; genealogia; metafísica da substância; Butler; sexo; gênero.
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