ANÁLISE DE QUATRO TESTES DE ATENÇÃO E A INFLUÊNCIA DO NÍVEL DE ESCOLARIDADE E DO QI

ANA LUIZA CALDAS COUTINHO

Apresentador(es): ANA LUIZA CALDAS COUTINHO

Orientador(es): SERGIO LUIS SCHMIDT


Área temática: MEDICINA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

O circuito neurológico que envolve a atenção inclui áreas pré-frontais, tálamo, cingulado anterior e tronco cerebral. Outros domínios cognitivos, como a memória, utilizam redes neocorticais mais complexas. Combinadas, essas redes formam a inteligência geral. Esses domínios podem ser afetados sem déficits de atenção, mas o inverso não ocorre, pois a atenção é um pré-requisito. Portanto, excluir adequadamente os déficits de atenção é um processo central para a análise correta de outros processos cognitivos. Nesse contexto, um teste de atenção ideal seria aquele que pode medir o desempenho da atenção com interferência mínima da inteligência geral. Atualmente, a maioria dos testes de atenção está ancorada em anos de educação formal. No entanto, até onde sabemos, não há testes de atenção padronizados com base no Quociente de Inteligência (QI). O nosso objetivo foi analisar se houve influência dos escores de inteligência no desempenho atencional através de diferentes testes neuropsicológicos. Além disso, pretendemos identificar se esses testes de atenção foram afetados por diferentes níveis de escolaridade. A faixa etária foi de 18 a 65 anos. Os níveis de escolaridade foram divididos em: ensino fundamental (0 a 8 anos de estudo), ensino médio (9 a 12) e ensino superior (13+). Todos os participantes foram submetidos aos seguintes testes de atenção: Teste de Atenção Visual Contínua (TCA), Teste de Atenção Difusa para Motoristas (TADIM), Teste de Atenção Discriminativa para Motoristas (TADIS) e Teste de Memória Visual Pictórica (TEPIC). O desempenho intelectual foi medido por meio do Teste de Inteligência Não Verbal R-1. Os pontos brutos do R-1 foram divididos em 3 grupos com base no percentil: ≤ 25%; > 25% e < 75%; e ≥ 75%. Para cada teste de atenção, analisamos as correlações entre os escores brutos do R-1 e o desempenho atencional. Uma MANCOVA foi usada para testar o efeito dos grupos do R-1 no desempenho atencional. O nível de escolaridade foi utilizado como covariante. A amostra incluiu 1036 participantes (75,8% do sexo masculino). A média de idade foi de 31,8 anos. Os níveis de escolaridade foram representados como 17% ensino fundamental, 48% ensino médio, 29% ensino superior e 5% não informado. As correlações indicaram coeficientes significativos para o TADIM (r = 0,486, P = 0,000), TADIS (r = 0,502, P = 0,000) e TEPIC (r = 0,311, P = 0,000). A variável do TCA que atingiu o maior coeficiente de correlação foi o subdomínio 'alerta intrínseco' (r = 0,143, P = 0,000). Uma MANCOVA indicou um efeito significativo do grupo do R-1 para todos os testes, com exceção do TCA. Os níveis de escolaridade também se mostraram significativos para o TADIM, TADIS e TEPIC, exceto para o TCA. Concluímos que os resultados dos testes TADIM, TADIS e TEPIC foram significativamente afetados pelo QI e pelos níveis de escolaridade. Portanto, os dados normatizados desses testes precisam ser corrigidos não apenas para o nível de escolaridade, mas também para o QI do indivíduo.

Bibliografia

http://dx.doi.org/10.1590/1980-57642020dn14-010003. http://dx.doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2021.0169. http://dx.doi.org/10.3390/jcm12165170. (não há espaço o suficiente nessa sessão para citar os 3 em ABNT)

Palavras-chave

atenção inteligência escolaridade avaliação neuropsicológica
Voltar