Orientador(es): PEDRO EDER PORTARI FILHO
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Motivação/Contexto da pesquisa: O Carcinoma Papilífero de Tireoide (CPT) é o tumor maligno mais prevalente da glândula tireoide, com incidência crescente globalmente. Embora apresente, na maioria dos casos, bom prognóstico, uma parcela de pacientes evolui com recorrência ou complicações pós-operatórias, tornando fundamental a identificação de fatores associados a desfechos desfavoráveis. Este estudo foi realizado no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) com o objetivo de caracterizar a epidemiologia, o comportamento clínico e os fatores de risco de recorrência do CPT em uma população atendida ao longo de 16 anos. Objetivo: O objetivo primário foi analisar a incidência, o perfil epidemiológico e a distribuição do CPT em pacientes submetidos à tireoidectomia entre 2005 e 2024. O objetivo secundário consistiu em identificar fatores clínicos, histopatológicos e terapêuticos associados à recorrência e às complicações pós-operatórias, incluindo extensão cirúrgica e esvaziamento cervical. Metodologia: Trata-se de estudo retrospectivo, com análise de 362 prontuários de pacientes submetidos à cirurgia no HUGG. Foram coletadas informações demográficas, exames complementares, laudos histopatológicos, registros cirúrgicos e acompanhamento ambulatorial. Os dados foram organizados em planilha padronizada, com dupla conferência para garantir consistência, sigilo e confiabilidade.Resultados: A amostra foi predominantemente feminina (91,4%) com idade média de 49,8 anos, incluindo 2,2% de pacientes pediátricos (<18 anos). O tamanho médio dos nódulos foi de 2,1 cm, com predominância das variantes folicular (36%), microcarcinoma isolado (33,2%) e clássica (19,1%). Observou-se invasão capsular em 48%, extensão extratireoidiana em 24% e invasão angiolinfática em 41,4%. Metástases linfonodais ocorreram em 12,8% dos pacientes, com predomínio no compartimento central. Quanto à cirurgia, a maioria foi submetida à tireoidectomia total (88%), e 32% realizaram esvaziamento cervical. As complicações pós-operatórias foram observadas em 22,3% dos casos, com hipoparatireoidismo (12%) e lesão de nervo laríngeo inferior (10,5%) como as mais frequentes. A ocorrência de complicações foi significativamente maior nos pacientes submetidos a esvaziamento cervical (p=0,02). Fatores associados a maior risco de recorrência incluíram idade avançada, nódulos maiores de 4 cm, extensão extratireoidiana e variantes histológicas agressivas. A taxa de recorrência foi de 3,6%, enquanto a sobrevida em 5 anos atingiu 98%. Observou-se uma tendência ao aumento de microcarcinomas nos últimos anos, compatível com padrões globais de diagnóstico precoce.Considerações finais:O estudo confirma achados clássicos da literatura, demonstrando elevada eficácia dos protocolos institucionais do HUGG, com altas taxas de cura e sobrevida. A análise evidenciou correlação entre fatores clínico-patológicos e prognóstico, reforçando a importância da estratificação individualizada de risco para otimização do manejo cirúrgico e acompanhamento pós-operatório. Limitações incluem heterogeneidade nos registros e seguimento incompleto. Estudos futuros devem explorar marcadores moleculares prognósticos, investigar a fisiopatologia de casos agressivos em jovens e ampliar análises multicêntricas para padronização nacional de critérios de cura e seguimento do CPT.
HAUGEN, B. R. et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid, v. 26, n. 1, p. 1-133, 2016. CABANILLAS, M. E.; MCFADDEN, D. G.; DURANTE, C. Thyroid cancer. The Lancet, v. 388, n. 10061, p. 2783-2795, 2016. ITO, Y. et al. An observational trial for papillary thyroid microcarcinoma in Japanese patients. World Journal of Surgery, v. 34, n. 1, p. 28-35, 2010. TUTTLE, R. M. et al. Thyroid carcinoma, version 2.2014. Journal of the National Comprehensive Cancer Network, v. 12, n. 12, p. 1671-1680, 2014.