UMA CRÍTICA AO PROJETO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO

DANIELLE GILABERTE

Apresentador(es): DANIELLE GILABERTE

Orientador(es): THIAGO SILVA FREITAS OLIVEIRA


Área temática: FILOSOFIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

O conceito Sociedade da Informação surge no contexto de transformações neoliberais nas décadas finais do século XX, associado à expansão das tecnologias digitais e à globalização. Não é uma noção neutra, mas uma construção ideológica promovida por organismos multilaterais que passam a vincular desenvolvimento ao acesso à informação, deslocando o foco de transformações estruturais. A agenda da Sociedade da Informação se consolidou no WSIS da ONU, em 2003, e foi reafirmada no WSIS+20 em 2025. Apesar do discurso de inclusão e progresso, esse projeto se baseia na liberalização dos mercados, desregulamentação e mercantilização da informação, favorecendo os interesses do centro do capitalismo. Sob a análise marxista, esta agenda revela-se parte de uma estratégia global de reprodução da estrutura de dominação capitalista. A retórica da inclusão esconde dinâmicas de subordinação, nas quais o digital é usado para ampliar a alienação, o controle ideológico e a mercantilização da vida. A informação, dita um bem universal, é mercadoria gerida por grandes corporações, consolidando desigualdades entre centro e periferia do sistema. A alienação se reconfigura em práticas digitais cotidianas, onde os sujeitos produzem valor (dados, atenção, engajamento) e se relacionam via estes mecanismos. No Brasil, o Programa Sociedade da Informação é formalizado em seu Livro Verde (2000) e Livro Branco (2002). Apresentando a tecnologia como motor de transformação social, o programa articula o discurso da inclusão digital com a pressão por inserção no mercado global. Seu debate público foi limitado, e as ações priorizaram interesses econômicos empresariais. No campo educacional, a proposta reforçou o ensino a distância e pedagogias baseadas em competências, moldando sujeitos adaptáveis às exigências do capital. Esta pesquisa investiga esse paradigma a partir de uma perspectiva crítica, ancorada no materialismo histórico-dialético, método que parte da realidade concreta para compreender suas determinações. O corpus inclui textos acadêmicos e documentos institucionais, analisados qualitativamente, para buscar compreender as implicações desse modelo para as práticas sociais e propor rumos que priorizem a emancipação dos sujeitos. Por fim, a crítica marxista revela que o acesso tecnológico não garante transformação social — é necessário alterar as relações de poder e propriedade que estruturam a produção do conhecimento. A disseminação desse paradigma escamoteia desigualdades e limita possibilidades emancipatórias, reforçando a dependência tecnológica e econômica, sob a aparência de modernização e progresso. As tecnologias digitais permanecem hegemonizadas por países centrais e grandes corporações. No campo educacional, torna-se urgente combater as pedagogias tecnocráticas e propor práticas críticas que considerem a formação humana em sua totalidade. Criticar o programa da Sociedade da Informação é essencial para formular estratégias à luz de um projeto realmente emancipador.

Bibliografia

MARINI, Ruy Mauro. Subdesenvolvimento e revolução. Florianópolis: Insular, 2014. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas (1854-1846). São Paulo: Boitempo, 2007. MATELLART, Armand. História da Sociedade da Informação. São Paulo: Loyola, 2002.

Palavras-chave

Sociedade da Informação Teoria marxista da dependência Ideologia
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