FITOTERAPIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO RIO DE JANEIRO

PALOMA COELHO MALAGUTI

Apresentador(es): PALOMA COELHO MALAGUTI

Orientador(es): MARIANA LEAL RODRIGUES


Área temática: SAÚDE COLETIVA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

Com origem no conhecimento tradicional e no uso popular, a fitoterapia é uma racionalidade médica que utiliza medicamentos cujos princípios ativos são plantas ou derivados vegetais. No Brasil, integra o Sistema Único de Saúde (SUS) desde sua criação, com expansão a partir de 2006 por meio das Políticas Nacionais de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Na Atenção Primária à Saúde (APS), é preferencialmente usada no tratamento de doenças crônicas, com destaque para a Estratégia Saúde da Família (ESF), onde há maior oferta dessas práticas e potencial de ampliação (Sousa; Tesser, 2017). Embora a literatura (Barros, 2021) aponte aumento na identificação dos serviços de fitoterapia e outras PICs, também destaca desafios como a necessidade de fontes de financiamento (Feitosa et al., 2016), fundamentais para avaliar a qualidade e sustentabilidade dos programas. Diante disso, este trabalho tem como objetivo conhecer o uso e a prescrição de plantas medicinais por equipes e usuários da ESF no município do Rio de Janeiro, buscando identificar limitações e potencialidades da fitoterapia na APS. O projeto propõe um estudo exploratório, descritivo e transversal, com metodologia qualitativa, desenvolvido em etapas: revisão bibliográfica, pesquisa de campo e análise de dados/redação de artigos. Durante a prospecção de dados, observou-se o impacto da pandemia de covid-19 nos serviços de APS, tema aprofundado no artigo “Os novos e velhos desafios para os saberes sobre as plantas medicinais e fitoterapia na Estratégia Saúde da Família após a pandemia de Covid-19” (Rodrigues, 2024). O cenário pós-pandemia exacerbou desafios já existentes da fitoterapia no SUS. Destaca-se a hegemonia do modelo biomédico, que marginalizou saberes tradicionais durante a crise sanitária. Além disso, a disseminação de informações falsas e a valorização exclusiva de “boas evidências” científicas contribuíram para restringir o uso de plantas medicinais. A falta de capacitação dos profissionais, somada à alta demanda por procedimentos médicos, levou enfermeiros e agentes comunitários a se afastarem de práticas como hortas, jardins terapêuticos e rodas de conversa. Esse afastamento persistiu após a pandemia, devido ao aumento da insegurança alimentar, da vulnerabilidade social, à queda nas taxas de vacinação e ao desmonte de serviços públicos intensificado após a Emenda Constitucional do “teto de gastos”. Apesar disso, a fitoterapia resiste no SUS, mesmo após 17 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e de Fitoterápicos. Fundamentada em uma abordagem de direitos humanos e respaldada pela Constituição de 1988, espera-se que as políticas públicas garantam a integralidade do cuidado e valorizem os saberes dos grupos formadores da sociedade brasileira. Reconhecer o que é tradicional com base nos contextos locais é essencial para que essas práticas não sejam confundidas com desinformação em saúde.

Bibliografia

BARROS, NF. Modelagem Farmácias Vivas-Jardins Terapêuticos: para implantação em serviços de Atenção Primária à Saúde no SUS / Nelson Filice de Barros, Renata Cavalcanti Carnevale. — Recife: Fiocruz-PE; ObservaPICS, 2021. RODRIGUES, Mariana Leal. Os novos e velhos desafios para os saberes sobre as plantas medicinais e fitoterapia na Estratégia Saúde da Família após a pandemia de Covid-19. Horizontes Antropológicos, v. 30, n. 69, 31 maio 2024. DOI https://doi.org/10.1590/1806-9983e690409. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/9F38kxV3yhZbzpvMNKG9mnd/?lang=pt. Acesso em: 21 set. 2025. SOUSA IMC, TESSER CD. Medicina tradicional e complementar no Brasil: inserção no Sistema Único de Saúde e integração com a atenção primária. Cad. Saúde Pública 2017; 33(1). DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00150215

Palavras-chave

Fitoterapia Plantas Medicinais Estratégia Saúde da Família Atenção Primária à Saúde
Voltar