Orientador(es): RAQUEL DE ALMEIDA FERRANDO NEVES
Área temática: BIODIVERSIDADE
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: Discente de iniciação científica sem bolsa
Ascídias são filtradores bentônicos com relevante posição filogenética devido à presença da notocorda no estágio larval e à metamorfose em organismo séssil. Representam modelos valiosos para estudos sobre impactos antrópicos no oceano e seus efeitos no desenvolvimento embrionário. Pesquisas indicam que espécies de Ascideacea acumulam poluentes no cesto branquial e possuem potencial como bioindicadores para poluição marinha. Esse estudo analisou métricas bibliográficas e estado da arte dos últimos 30 anos de pesquisas sobre contaminantes em ascídias. Os artigos foram obtidos no Google Acadêmico e PubMed, revisados pelo método PRISMA e submetidos à análise bibliométrica no software Iramuteq v.0.8a7, que possibilita avaliação quali-quantitativa dos artigos por análises lexicográficas, de similitude e de classificação hierárquica descendente (CHD). 99 estudos foram avaliados e as análises revelaram 5 termos mais recorrentes e respectivos subgrupos: “ascídias”, “concentração”, “efeito”, “metal” e “marinho”. O principal subgrupo corresponde ao termo “ascídia”, que apresenta a maior coocorrência com os demais. A análise CHD classificou os termos em 5 classes lexicais, a 1ª com os termos “hemócitos”, “tributilestanho” e “fagocitose”, sugerindo um enfoque maior dos efeitos celulares do composto na fagocitose de hemócitos. A classe 2 agrupou os termos “vertebrado”, “sistema” e “nervoso” e indica uma abordagem voltada na utilização de ascídias como modelo em ensaios toxicológicos, substituindo o uso dos vertebrados. A 3ª classe reuniu as palavras “fertilização”, “desenvolvimento” e “embrião”, indicando efeitos dos contaminantes no desenvolvimento embrionário das ascídias. A classe 4 agrupou as palavras “organismos”, “ambiente” e “microplásticos”, sugerindo um grupo de artigos que descrevem os efeitos dos contaminantes no ecossistema marinho. A classe 5 incluiu “vanádio”, “cádmio” e “ferro”, referente a um grupo de artigos de compostos metálicos. Os resultados evidenciam proximidade das classes 1, 2 e 3. A 1 representa efeitos toxicológicos dos poluentes a nível celular, e uma dicotomia entre a 2 e 3 reflete os efeitos na ontogenia das ascídias. As classes 4 e 5 reúnem estudos de metais e outros contaminantes no ecossistema marinho. Os resultados indicam predominância nos estudos sobre metais pesados em ascídias. Apesar da existência de estudos com outros poluentes, ainda há uma lacuna sobre os efeitos de microplásticos, plastificantes, fármacos e outros poluentes emergentes. A posição filogenética das ascídias no grupo Cordata reforça seu uso como modelo alternativo em testes toxicológicos, substituindo vertebrados como os peixes. Novos estudos são necessários para investigar efeitos celulares, moleculares e ontogênicos nas ascídias e na consolidação do seu potencial bioindicador para poluição marinha.
Eliso, M. C., Bergami, E., Manfra, L., Spagnuolo, A., & Corsi, I. (2020). Toxicity of nanoplastics during the embryogenesis of the ascidian Ciona robusta (Phylum Chordata). Nanotoxicology, 14(10), 1415-1431. Matsushima, A., Ryan, K., Shimohigashi, Y., & Meinertzhagen, I. A. (2013). An endocrine disruptor, bisphenol A, affects development in the protochordate Ciona intestinalis: Hatching rates and swimming behavior alter in a dose-dependent manner. Environmental pollution, 173, 257-263. Parrinello, D., Bellante, A., Parisi, M. G., Sanfratello, M. A., Indelicato, S., Piazzese, D., & Cammarata, M. (2017). The ascidian Styela plicata hemocytes as a potential biomarker of marine pollution: In vitro effects of seawater and organic mercury. Ecotoxicology and Environmental Safety, 136, 126-134.