O IMPACTO DOS SENTIMENTOS NA PARTICIPAÇÃO ELEITORAL: UMA ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE EMOÇÕES NEGATIVAS E O ENGAJAMENTO CÍVICO

CLARISSA DA SILVA ARAUJO, EVELLYN KARINE DE OLIVEIRA BARBOSA, KAYLANE MACHADO DE AZEVEDO FONTES

Apresentador(es): CLARISSA DA SILVA ARAUJO, EVELLYN KARINE DE OLIVEIRA BARBOSA, KAYLANE MACHADO DE AZEVEDO FONTES

Orientador(es): MARCIA RIBEIRO DIAS


Área temática: CIÊNCIA POLÍTICA

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: Discente de iniciação científica sem bolsa


Resumo

No 2° turno das eleições municipais de 2024, 9.9 milhões de cidadãos não compareceram às zonas eleitorais, conjuntamente, o índice abstencionista nas urnas foi de 16% a 30%, variando de acordo com os municípios. Apesar da grande mídia afirmar que esse alto nível de abstenção se reflete, de forma simplória, na desilusão do eleitorado brasileiro, a pesquisa Sobre a Desilusão e a Arte do Silêncio: Um Estudo Sobre Abstenção Eleitoral no Brasil, a qual integra o Grupo de Investigação Eleitoral (GIEL), busca entender a complexidade de sentimentos negativos envolvidos na decisão do eleitor ao abster-se do voto. Levando em consideração a experiência dos eleitores abstencionistas entrevistados desde a primeira lembrança em torno das eleições, ainda que não pudessem exercer o direito ao voto. A metodologia do trabalho consiste em uma análise qualitativa de entrevistas semi estruturadas, com 26 cidadãos abstencionistas, que são gravadas e transcritas. As análises de discursos são feitas e revisadas pelos integrantes do grupo de pesquisa e reanalisadas por meio da inteligência artificial, no intuito de encontrar mais elementos que passaram despercebidos, baseando-se em um processo de categorização de sentimentos, sejam eles positivos ou negativos. Além disso, busca identificar se os entrevistados demonstram apatia ou sofisticação política, o que contribui para uma compreensão aprofundada do comportamento eleitoral. Sentimentos de ansiedade e insatisfação que foram descritos, respectivamente, a sensação de incômodo e descontentamento, exemplificam as emoções utilizadas de forma recorrente para descrever as experiências e percepções que revelam e moldam o comportamento eleitoral. Ademais, a rejeição a candidatos e partidos se mostra presente no discurso dos entrevistados, esse diagnóstico é acompanhado dos sentimentos de desgosto e frustração em relação a figuras e organizações políticas em que depositaram confiança anteriormente. Para ilustrar essa diversidade de emoções que conduzem o eleitor a decidir exercer o seu direito ao voto ou não, o gráfico¹ compõe os sentimentos percebidos em um dos discursos analisados durante o último semestre. É possível perceber uma recorrência de sentimentos negativos que traduzem a abstenção eleitoral da amostra selecionada. Essa recorrência demonstra o quanto o aspecto sentimental influencia o comportamento eleitoral, mostrando que a abstenção não é motivada apenas por desinteresse ou falta de conhecimento político. As emoções sentidas e percebidas durante as eleições, seja pelo contexto político do momento em questão ou por lembranças de experiências negativas vividas ao votar, transformam o exercício do direito cívico em um fardo. Essas experiências mostram que o voto pode carregar significados complexos, abrindo caminho para novas reflexões sobre as razões que levam parte do eleitorado a se afastar das urnas.

Bibliografia

MAIS. Mais de 9,9 milhões de eleitores não foram às urnas no 2o turno da eleição; abstenção foi de 29,2%. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2024/noticia/2024/10/28/eleicao-2024-abstencao.ghtml

Palavras-chave

Abstenção eleitoral Participação política
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