Orientador(es): ELLEN MAYRA MENEZES AYRES
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
A descrição sensorial pode auxiliar na incorporação de novas plantas em preparações e no desenvolvimento de produtos sustentáveis. O estudo teve como objetivo avaliar, de forma científica, as características sensoriais de folhas alimentícias não convencionais pelos sentidos da visão e do tato, já que na literatura predominam apenas descrições empíricas. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética da UNIRIO (CAAE: 15336719.8.0000.5285), e os participantes assinaram o TCLE. Foram adquiridas folhas de peixinho-da-horta, ora-pro-nóbis, mostarda, dente-de-leão, almeirão-roxo e agrião-d’água em uma feira de orgânicos. Os atributos foram levantados em lista livre para compor o Check-All-That-Apply (CATA). Em seguida, 38 consumidores avaliaram as seis amostras, apresentadas em tapetes de plástico, codificadas e servidas monadicamente. Para cada amostra, os avaliadores marcaram os atributos percebidos e indicaram a expectativa de compra em escala de sete pontos; também foram coletados dados sociodemográficos e a frequência de consumo de hortaliças. Os dados do CATA foram analisados pelo teste de Q de Cochran e por comparações múltiplas pareadas via McNemar com correção de Bonferroni; a intenção de compra foi avaliada por ANOVA e teste de Tukey. Todas as análises foram realizadas no software XLSTAT. A faixa etária predominante foi de 20 a 29 anos (n=32). Além disso, 71,1% (n=27) eram do gênero feminino, 85% (n=34) possuíam ensino médio completo e 30% (n=12) tinham renda familiar mensal entre 2 e 5 salários mínimos (ABEP, 2022). Em 65% dos lares dos avaliadores (n=26), as compras eram realizadas por pais ou responsáveis. Por fim, 60% (n=24) consumiam hortaliças de 3 a 5 vezes por semana. A ANOVA indicou diferenças significativas na intenção de compra, agrupando as amostras de folha de mostarda, agrião-d’água e peixinho-da-horta em grupos com médias mais altas (5,237; 5,077 e 4,795, respectivamente) e almeirão roxo, dente de leão e ora-pro-nóbis com menores médias (3,842; 3,769 e 3,590, respectivamente). No CATA, a maioria dos atributos se apresentaram significativamente diferentes entre as amostras. O dente de leão foi menos associado à “aparência brilhosa”, enquanto a ora-pro-nóbis destacou-se por “aparência de plástico”. Tons verde-escuro predominaram em ora-pro-nóbis e agrião-d’água, e as amostras de almeirão roxo e peixinho-da-horta apresentaram formato em lança. Folhas aveludadas predominaram no peixinho-da-horta, folhas lisas foram frequentes em ora-pro-nóbis, dente de leão e agrião-d’água , e folhas ásperas em mostarda e almeirão roxo. As PANCs exibiram atributos visuais e táteis distintos, que podem influenciar a percepção e a intenção de compra dos avaliadores. Os achados contribuem para o futuro aproveitamento dessas espécies em diferentes preparações, além de favorecer a valorização de recursos locais e incentivar a produção e o consumo regionais.
Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Alterações na aplicação do Critério Brasil, válidas a partir de 2022. Disponível em: https://abep.org/wp-content/uploads/2024/09/01_cceb_2022.pdf.