AVALIAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DE MYCETOPODA (BIVALVIA: MYCETOPODIDAE) EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NA AMÉRICA DO SUL

PIETRA AMORA SOUZA CAVALCANTE, IGOR CHRISTO MIYAHIRA

Apresentador(es): PIETRA AMORA SOUZA CAVALCANTE

Orientador(es): IGOR CHRISTO MIYAHIRA


Área temática: BIODIVERSIDADE

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: Discente com bolsa externa à UNIRIO


Resumo

Bivalves de água doce encontram-se entre os grupos mais ameaçados de extinção, entretanto, a falta de dados essenciais sobre as espécies limita a implementação de planos de conservação direcionados. Mycetopoda d’Orbigny 1835 é o gênero tipo de Mycetopodidae, composto por três espécies: Mycetopoda legumen (Martens, 1888), Mycetopoda siliquosa (Spix in Wagner, 1827) e Mycetopoda soleniformis d’Orbigny, 1835. A avaliação da proteção atual, com a descrição dos padrões de distribuição, é de grande importância para ações de conservação ao grupo. Este estudo busca analisar a proteção das espécies do gênero Mycetopoda relacionado a sua distribuição pela América do Sul, com a busca por lacunas de proteção com o intuito de contribuir para futuras ações de conservação. As ocorrências foram adquiridas em acervos digitais, museus e na literatura científica. Todos os registros foram georreferenciados, com o uso das ecorregiões de água doce do mundo e das áreas protegidas. Foram obtidos 568 registros em 27 ecorregiões, M. soleniformis apresentou 65 ocorrências, M. siliquosa obteve 298 observações e M. legumen totalizou 205 registros. Mycetopoda legumen esteve da bacia do Rio da Prata à ecorregião da Laguna dos Patos, M. soleniformis se situou em dois focos, um na zona elevada do Amazonas/Orinoco e outro do Rio Paraguai ao baixo Paraná e M. siliquosa exibiu ampla distribuição. Ao total, os registros estavam distribuídos em 61 áreas de proteção, com apenas seis ecorregiões de água doce sem ocorrências protegidas. Contudo, a proporção dos registros em áreas protegidas frente ao total ainda é baixa para todas as espécies. A ecorregião da Laguna dos Patos reuniu o maior número de áreas protegidas com ocorrência de Mycetopoda spp., seguida pela região amazônica e pelo Baixo Paraguai. Nas áreas de distribuição simpátrica das três espécies, situadas no Paraguai, Baixo Paraná e Baixo Uruguai, apenas a ecorregião do Baixo Paraná apresentou mais de três áreas protegidas do grupo, com nove unidades de conservação. Entretanto, devido à grande sobreposição de áreas protegidas, o número de áreas protegidas não reflete necessariamente um alto índice de proteção para o grupo. Mycetopoda legumen foi a espécie que apresentou a menor proporção entre registros totais/unidades de conservação (11%), seguida por M. siliquosa (16%) e M. soleniformis (32%). Simultaneamente, entre as áreas protegidas, a maioria esteve em categorias de uso sustentável, em detrimento de áreas de proteção integral, com plano de manejo presente em apenas 15, ausente em cinco e não reportado para as demais 41 unidades de conservação. Desta forma, apesar do aparente alto número de ocorrências, muitos destes ocorrem em sobreposição e em unidades de conservação de uso sustentável. Estes evidentemente fornecem alguma proteção ao grupo, mas não da forma ideal. Nas próximas etapas do estudo, vamos avaliar a área total protegida com ocorrência de Mycetopoda e se os planos de manejo mencionam as espécies estudadas.

Bibliografia

ABELL, R. et al. Freshwater ecoregions of the world: A new map of biogeographic units for freshwater biodiversity conservation. BioScience. Oxford, v. 58, n. 5, p. 403 - 414, mai. 2008. MIYAHIRA, I. C. et al. The conservation of non‐marine molluscs in South America: where we are and how to move forward. Biodiversity and Conservation. v. 31, n. 11, p. 2543–2574, jun. 2022.

Palavras-chave

Bivalves de água doce Mycetopoda Áreas Protegidas Ecorregiões
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