Orientador(es): JULIANA BASTOS MARQUES
Área temática: HISTÓRIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Este projeto propõe uma leitura de O Aleph, livro de contos central na obra de Jorge Luis Borges (Buenos Aires, 1899-1986), a partir da perspectiva da recepção do orientalismo e do mundo antigo oriental presentes no texto. Publicado pela primeira vez em 1949, o livro reúne 17 narrativas curtas que oferecem as características mais marcantes do corpo literário borgesiano: ficções labirínticas, encorpadas e realizadas sob a luz de mistérios tácteis, que atravessam transversalmente o tempo e o espaço por uma fruição erudita e inventiva acerca de personas, personalidades, objetos e lugares que podem ser tanto históricos quanto inventados, costumeiramente transparecendo a cortina entre essas duas possibilidades. Dentro dessa perspectiva, a análise dos estudos orientalistas, em sua gênese eurocêntrica, compartilha certas capacidades especulativas, ficcionais e líricas com o mundo literário. Considerando que essa cosmologia acadêmica esteve por muito tempo baseada em proposições irreais, coloniais, é possível considerarmos esse movimento de imaginação impositiva das origens dos estudos sobre a antiguidade oriental como uma controversa criação de realidades alternativas românticas. Isso esbarra tanto nas lacunas de fontes historiográficas, preenchidas imaginativamente nas ficções borgesianas, quanto nas criações puramente coloniais de um mundo europeu atraído pela visão exótica e fabricada do oriente, que Borges tratará como parte do repertório literário a ser incorporado em seu tecido referencial que reinventa os personagens, arquétipos e cenários dos mais diversos materiais textuais. Borges é um dos autores mais privilegiados com um corpo crítico canônico acerca de sua literatura, e é avançado o estágio de produção de subjetividades acadêmicas a partir de seus contos. Colecionando certos pontos comuns dentro da percepção canonizada de seu trabalho, a análise da forma como Borges vê e interpreta o passado da Antiguidade entraria sequestrada pela égide das possibilidades especulativas e imaginativas que confrontam as atualizações das fontes (arqueológicas e acadêmicas), contra esse universo de ficções entortadas pela tangencial presença de alguma realidade histórica particular em Borges. Dentro de O Aleph, para resultados mais específicos, a leitura se concentrará nos contos que tratam diretamente imagens, símbolos, personagens e localidades do mundo antigo e do universo orientalista: “O imortal”, “A Busca de Averróis”, “O Zahir”, “Abenjacan, o Bokari, morto no seu labirinto”.
BORGES, Jorge Luis. O Aleph; Tradução de Flávio José Cardozo. Porto Alegre, Globo, 1972. PIGLIA, Ricardo. Formas Breves. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Tradução Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. SARLO, Beatriz. Jorge Luis Borges, um escritor na periferia. Tradução de Samuel Titan Jr. São Paulo: Il