Orientador(es): RODRIGO CASTELO BRANCO SANTOS
Área temática: SERVIÇO SOCIAL
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
Contexto: Nas produções de Marx e Engels foi demonstrado a importância do materialismo histórico para investigar e transformar a realidade, levando em consideração as determinações universais do capitalismo e as particularidades nacionais das formações econômico-sociais. Na América Latina, o marxismo encontrou fertilidade para desenvolver mediações com análises concretas de formações dependentes. Assim, descortina-se de como a colonização e a escravidão formaram as bases da transição para o modo de produção capitalista na América Latina. Para estudar a consolidação do capitalismo no Brasil em meados do século XIX, a partir da combinação com as relações sociais escravistas, fizemos resgate das bases teórico-metodológicas marxistas que dizem respeito à expansão capitalista mundial, uso da violência como potência econômica e utilização da colonização e da escravização para mercantilização da força de trabalho e a acumulação de riquezas pela burguesia. A pesquisa volta-se aos textos de Jacob Gorender, Clóvis Moura e Emília Viotti da Costa sobre o abolicionismo para assimilar a formação econômico-social brasileira, a classe trabalhadora e suas resistências desde os tempos coloniais, determinantes no debate sobre a "questão social", revolução e capitalismo dependente. Objetivo: Análise de textos clássicos e contemporâneos, captando lacunas, concordâncias e discordâncias entre os autores em busca das contradições existentes durante o processo abolicionista, a construção da luta de classes e identificação de seus sujeitos (ou apagamento deles) e compreender a transição do Brasil para o capitalismo dependente. Metodologia: Já acumulados as leituras acerca das bases teóricas de Marx e Engels e da dependência enquanto categoria e expressão da existência do capitalismo na América Latina, buscamos as controvérsias presentes nos autores citados, consultaremos e estudaremos os textos: A escravidão reabilitada de Jacob Gorender, Sociologia do negro brasileiro de Clóvis Moura e A abolição de Emília Viotti da Costa. Resultados: Acumulamos debate, por enquanto, de Clóvis Moura e retiramos disso erros e acertos do autor sobre o processo abolicionista e as organizações e lutas que se desenrolaram (ora de forma radical, ora passiva para o autor). Sem rebaixar a importância de sua obra, detectamos problemas metodológicos, uma vez que ele disserta resultantes sem partir de contradições do processo. Considerações: Houve leitura antecipada dos três textos para realizar esse trabalho. Jacob Gorender tem críticas contundentes em relação ao caráter passivo presente na obra de Clóvis Moura; além disso, ele é o que mais busca as contradições das organizações de luta e do abolicionismo e disserta sobre leis da época sem leitura crua. Emília Viotti da Costa, com obra irrigada em detalhes, tem tom mais “novelista” sobre o tema e chega a abordar sobre apagamento de grupos e sujeitos, mas Jacob Gorender faz melhor esse debate.
GORENDER, Jacob. A escravidão reabilitada. São Paulo: Expressão Popular, 2016. p.153-208. MOURA, Clóvis. Sociologia do negro brasileiro. Editora Ática S.A., 1968. p. 239-251. VIOTTI DA COSTA, Emília. A abolição, 9. ed. São Paulo: Unesp, 2010. p. 95-131.