Orientador(es): SIMONE AUGUSTA RIBAS
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A atenção ao acesso de uma dieta com qualidade e ao estado nutricional de crianças com síndrome de Down (SD) é de suma importância, uma vez que apresentam características clínicas que podem impactar na sua alimentação. Apesar da literatura já demonstrar associação inversa entre a qualidade da dieta e InSAN ainda são poucos os estudos que investigam a associação nesta população. O objetivo deste trabalho foi investigar a relação entre a qualidade da alimentação e a situação de InSAN em crianças com SD. Trata-se de um estudo transversal realizado com uma amostra não probabilística de 71 crianças com SD, atendidas no Ambulatório de um Hospital Universitário. Dados sociodemográficos, dietéticos e maternos foram coletados dos protocolos do serviço. Dados dietéticos foram obtidos de recordatórios de 24 horas e a qualidade da alimentação foi avaliada por meio de indicadores de práticas alimentares (IPA) propostos pela OMS. Para a investigação da insegurança alimentar (InSAN) foi aplicada a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. A associação entre InSAN e fatores demográficos, socioeconômicos, nutricionais e dietéticos foi avaliado pelo teste qui quadrado. Do total de crianças, observou-se que mais da metade dos domicílios estavam em situação de InSAN (57,7%), sendo destes 42,3% leve, 11,3%, moderada e 4,2%, grave. Ao investigar a relação entre a situação de InSAN e as variáveis sociodemográficas, verificou-se que famílias com mais 12 anos de escolaridade apresentaram maior percentual de segurança alimentar (SAN) (60%), assim como àquelas que se enquadraram em classes sociais média e alta (50,0%) (p<0,05). Por outro lado, famílias que tinham crianças de até 2 anos no domicílio, apresentaram maiores percentuais de InSAN (p=0,01). Em relação aos IPA, observou-se que pré-escolares maior consumo de bebidas adoçadas (54,8% vs. 15,4%; p < 0,001), alimentos com adição de açúcar (71,0% vs. 27,5%; p< 0,001) e alimentos ultraprocessados (AUP) (67,7% vs. 32,5%; p = 0,003), em comparação aos lactentes. Não houve associação entre IPA e a situação de InSAN (p>0,05). Apesar disso, ressalta-se que as crianças advindas de famílias em situação de InSAN apresentaram menor consumo de alimentos fontes de vitamina A (58,5% vs. 70%) e de ferro (75,6 vs. 90,0%) quando comparadas às famílias em situação de SAN, respectivamente, o que contribuiu para que os percentuais de diversidade alimentar fossem abaixo do desejado para alimentação adequada (70,7% vs. 76,7%). Conclui-se que a qualidade da dieta das crianças com SD necessita de melhorias, devido ao baixo consumo de alimentos fontes de vitamina A e ferro, principalmente entre as famílias em InSAN. Ressalta-se a preocupação da presença expressiva de AUP, açúcar e bebidas adoçadas na alimentação de crianças já a partir dos 2 anos, dado que corrobora com estudos realizados em outros contextos geográficos e em crianças sem SD.
RIBAS, S. A. et al. Insegurança alimentar domiciliar e sua associação com a qualidade da dieta em crianças de alto risco. Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, n. 2, p.1-10, fev. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232025302.10142023