Orientador(es): FERNANDA DO VALLE GALVAO DEBETTO
Área temática: BIBLIOTECONOMIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: Discente de iniciação científica sem bolsa
A Teoria do Conceito, da filósofa alemã Ingetraut Dahlberg, se baseia nas categorias aristotélicas para estabelecer uma abordagem teórico-metodológica para representação e organização do chamado conhecimento registrado. Conceituar, no contexto dos processos de representação e documentação, envolve estabelecer enunciados sobre os objetos que serão documentados em uma dada unidade de informação, como livros, fotografias e obras de arte em bibliotecas, arquivos e museus. Nessa perspectiva, o conceito é definido como a soma dos enunciados verdadeiros sobre o objeto, isto é, representa um conjunto de informações que o caracteriza, individualiza e permite associá-lo a outros. Separar por semelhanças e diferenças é a base da classificação para fins documentários. De modo geral, este trabalho propõe uma reflexão teórica sobre os desafios terminológicos, conceituais, estéticos e éticos do ato de conceituar e classificar. Especificamente, discute tais dilemas no contexto da classificação de objetos de museu, mobilizando perspectivas teóricas da Ciência da Informação e da Museologia acerca da atribuição de valor documental e de musealia como processos sociais, culturais, políticos e linguísticos. A proposta advém do projeto de iniciação científica, desenvolvida entre setembro de 2024 e agosto de 2025, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, que partiu da Organização do Conhecimento, especialmente do conceito de representação da informação, para verificar os usos e as abordagens científicas sobre tipologias e movimentos de arte considerados fora do cânone. Se, por um lado, tais conceitos compartilham o status de marginalização, por outro, não são descritos como sinônimos. Desse modo, as fronteiras de qualificação e definição se tornam um desafio para interpretação e documentação das obras à luz da justiça informacional. Os tipos de arte naif, arte bruta e outsider evidenciam questões relevantes para a documentação: a marginalização advém da atribuição de valor ao objeto enquanto critério estético ou memorial ou o valor atribuído ao criador, por vezes, não considerado artista? A arte considerada outsider pode ser considerada arte marginalizada ou pode tratar-se de uma decisão de significação de estar fora de espaços institucionalizados? Em revisão narrativa de literatura, a pesquisa verificou a escassez de produção científica sobre os conceitos mencionados, o que interfere nos critérios de clareza, de não contradição e de ausência de ambiguidade, potencialmente discutidos pela garantia literária, um dos recursos utilizados por teorias canônicas da classificação bibliográfica.
DAHLBERG, Ingetraut. Teoria do conceito. Ciência da Informação, v. 7, n. 2, 1978, p. 101-107. FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: Martins Fontes, 2002. LANCASTER, F. W. Indexação e resumos: teoria e prática. Brasília: Briquet de Lemos, 1993.