A COMIDA E A CULTURA

YASMIN BRANDÃO LOHMANN CARDOSO

Apresentador(es): YASMIN BRANDÃO LOHMANN CARDOSO

Orientador(es): RENATA BORCHETTA FERNANDES FONSECA


Área temática: NUTRIÇÃO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A cultura alimentar brasileira foi construída a partir de uma mistura não homogênea e muito menos justa, em um processo marcado por desigualdades e conflitos. Entretanto, é impossível pensar a cozinha brasileira sem pensar em miscigenação. Inevitavelmente, esses três povos – indígenas, africanos, portugueses – coexistindo em um mesmo território, viriam a se influenciar mutuamente. De fato, a gastronomia de um lugar, e tudo que se relaciona com ela, é uma referência ao ilustrar e diferenciar um povo e seus modos, demonstrando suas histórias e valores. Nessa perspectiva, a feijoada é um prato nacional por excelência, representando essa fusão racial brasileira: um prato feito pelos africanos, que atribuíram temperos característicos, com o feijão preto usado pelos indígenas, adicionando as partes menos nobres do porco em um cozido de técnica portuguesa. De maneira semelhante, o samba, consagrado como importantíssimo símbolo da cultura nacional, também é percebido como um misto dessa convivência, evidente na seleção dos instrumentos utilizados nas rodas de samba: o chocalho e o tambor de origem indígena, o violão e o pandeiro trazidos pelos portugueses, e o agogô e o atabaque, instrumentos africanos. O samba e os sambistas possuem papel ativo no processo de construção da identidade nacional brasileira, estando intimamente ligados às tradições e à identidade do povo, retratando geralmente o cotidiano dos moradores das cidades, e muitas vezes utilizando a culinária e o ato de se alimentar como referencial de inspiração. O presente trabalho possui como objetivo identificar através de um referencial teórico a relação entre a comida e a cultura no país, tratando-se de uma pesquisa de revisão narrativa da literatura em bases como Google Acadêmico. Os resultados mostram que a feijoada, assim como ascensão marginal do samba, evidenciam a luta de classes da relação entre senhores e escravizados ao unir ingredientes e técnicas de ambos, de maneira que refletem tais vínculos de poder. A forma de consumir a feijoada, associada a um desfrute coletivo e aliada aos encontros e a interação social profunda, entende-se também que consolida a imagem simpática, afetuosa e festiva do povo carioca. De fato, nos locais onde há samba, o prazer da música, comida e bebida estão sempre presentes, com suas festividades musicais sempre aliadas ao preparo e degustação das iguarias feitas pelas Yabás do samba. Dentre os inúmeros elementos culturais que residem alicerçados pelos hábitos alimentares, intrínsecos a eles pelas forças das tradições, é evidente que o samba carioca é um destaque, tendo, desde a sua própria origem até suas expressões mais atuais, a união entre a comida e a música como base para a criação de uma experiência cultural rica e autêntica, despertando em seus praticantes sentimentos de compartilhamento, pertencimento e identidade. São veículos de expressão da multiplicidade brasileira, celebrando as tradições, os ritmos e os sabores que tornam o Brasil tão único.

Bibliografia

CACHET, G. F. Comida e samba: a feijoada no Cacique de Ramos. Rio de Janeiro: UFRJ/Instituto de Nutrição Josué de Castro, 2016. CARNEIRO, H. S. Comida e sociedade: significados sociais na história da alimentação. Curitiba: UFPR, 2005. FERREIRA, C. B. G. Um estudo de caso sobre a modificação dos patrimônios culturais imateriais. Rio de Janeiro: UNIRIO/MAST, 2017.

Palavras-chave

comida cultura música samba feijoada identidade
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