Orientador(es): JULIA VASCONCELOS STUDART
Área temática: LETRAS
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
A pesquisa tem como objeto a produção de conteúdo para internet da empresa Brasil Paralelo, fundada em 2016 pelos porto alegrenses Filipe Valerim, Henrique Viana e Lucas Ferrugem, na esteira do momento político conturbado que foi o golpe de estado sofrido pela presidenta Dilma Rousseff. Desde seu primeiro trabalho, a Brasil Paralelo demonstra sua afeição pela extrema-direita, sendo uma série documental chamada Congresso Brasi Paralelo constituída de entrevistas com diversas personalidades do campo político. Desde então, a Brasil Paralelo tornou-se porta-voz do fascismo brasileiro, sendo fundamental na consolidação do mesmo como um movimento de massas. A pesquisa também investigou como o fascismo contemporâneo se utiliza das noções de estética e linguagem no ambiente virtual, abordando as áreas de linguística, análise do discurso e estudos da estética e da linguagem. Cabe também à pesquisa o desenvolvimento sobre os conceitos de fascismo e ideologia, abordando autores como Louis Althusser, Mikhail Bakhtin e Michel Pêcheux. O estudo de caso específico utilizado na pesquisa é o artigo “Qual o conceito de arte? [DEFINIÇÃO]”, portanto, se faz também necessária a investigação dos métodos utilizados pela Brasil Paralelo para atrair internautas às narrativas conspiratórias para, talvez, nos ajudar a contribuir na compreensão e combate do fenômeno fascista contemporâneo e sua presença virtual. A metodologia da pesquisa se baseou no confronto da leitura do conteúdo e forma presentes nas diversas mídias da Brasil Paralelo com um levantamento de arquivo bibliográfico. Este levantamento compreenderá estudos linguísticos/literários como Os Gêneros do Discurso (Bakhtin, 2016) e Semântica e Discurso (Pêcheux, 2016), textos filosóficos como Sobre a Reprodução (Althusser, 1999) e Magia e Técnica, Arte e Política (Benjamin, 1994). No intuito de melhor contextualizar a Brasil Paralelo em seu momento histórico e material, o livro Colonialismo Digital: por uma crítica hacker-fanoniana (Faustino, Lippold, 2016) foi utilizado como embasamento teórico na compreensão do ambiente digital. Além disso, a pesquisa buscará conceituar o fascismo a partir do texto: The Communist International: 1919-1943. Vol.3 – 1929-1943 (Degras, 1971). Conclui-se, portanto, que os avanços tecnológicos e sua intrínseca conexão com a constante expansão do mercado capitalista fizeram dos aparelhos celulares um apêndice do corpo humano, assim como do corpo humano apêndice dos aparelhos. Muito além de sua forma palpável, os celulares compõem um espaço de trabalho, consumo, comunicação e informação, expandindo a materialidade sensível para uma forma estranhada de vida. Assim sendo, conclui-se que o espaço humano do “não saber” está sendo gradualmente substituído por uma forma ideologizada em noções mercadológicas, e é a partir deste constructo que a Brasil Paralelo propaga a desinformação a partir da sua plataforma.
Althusser, Louis. Sobre a Reprodução. Trad. Guilherme João Teixeira de Freitas. Petrópolis RJ: Vozes, 1999. Bakhtin, Mikhail. Os Gêneros do Discurso. Org. Trad. Paulo Bezerra, São Paulo: Editora 34, 2016. Degras, Jane. The Communist International 1919-1943. Vol.3 – 1929-1943. Ed. Routlegde, 1971.