Orientador(es): MARZIA PUCCIONI SOHLER, ROBERTA BENITEZ FREITAS PASSOS
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC - AF
A Dengue foi considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a doença viral transmitida por mosquito mais comum no mundo em 2024. Aproximadamente metade da população mundial vive em áreas endêmicas para a doença De janeiro a julho de 2025, a OMS registrou 3,6 milhões de casos e mais de 1.900 mortes por dengue no mundo. No Brasil, foram registrados de janeiro a setembro de 2025 mais de 1,5 milhões de casos prováveis de dengue. A dengue se manifesta em um espectro variado de sintomas, podendo ser desde uma doença febril branda até quadros mais graves com comprometimento neurológico. Os dados em relação à prevalência do comprometimento neurológico estão defasados, visto que a última pesquisa publicada foi referente ao período de 1959 a 2013. A dengue neurológica se apresenta de diversas formas clínicas, sendo classicamente mais associada à infecção pelos sorotipos DENV-2 e DENV-3. O presente estudo tem como objetivo principal analisar a prevalência atual das complicações neurológicas associadas à infecção por dengue no Brasil e no mundo. Como objetivo secundário, descrevemos o perfil demográfico e as principais complicações neurológicas da infecção. Foi realizada uma revisão sistemática com busca de artigos nas plataformas MedLine, Scopus e Embase, sem restrições de data ou local. Os autores utilizaram os termos “dengue” combinados com “encephal*”, “neurolog*”, “myositis”, “neuromyelitis optica”, “Guillain-Barre syndrome”, “mening*” e “myelitis”. A busca foi realizada por dois revisores independentes e os conflitos foram resolvidos por um terceiro autor. Foram incluídos estudos observacionais com mais de 10 casos (coorte, caso-controle e transversal) com resultados laboratoriais confirmados para dengue (CDC, 2015). Coinfecções, comorbidades neurológicas preexistentes e relatos de caso foram excluídos. Vinte e um de 1.293 (1,62%) artigos foram incluídos na análise. De 59.298 casos, 375 (0,63%) apresentaram complicações neurológicas associadas à dengue. Houve predominância do sexo feminino (58%). A mediana (variação) da idade foi de 33 anos (1 mês-91 anos). As principais complicações incluíram encefalite (25,86%), encefalopatia (20,5%), convulsões febris (8,8%) e meningoencefalite (5,06%). Manifestações menos frequentes consistiram em síndrome de Guillain-Barré (2,6%), disfunção cerebelar (2,13%), mielite transversa (1,33%), encefalomielite disseminada aguda [ADEM] (1,33%) e outras. Os países com mais artigos incluídos foram Índia (61%) e Brasil (9,52%). O maior número de casos (81,59%) foi do Brasil, seguido por países asiáticos (15,72%). Encontramos uma prevalência de complicações neurológicas de 0,63% em pacientes com infecção por dengue, com predomínio de envolvimento encefálico. Carecem de dados da África e da América Latina, exceto para o Brasil. Os achados alertam para a necessidade de investigação da infecção por dengue no sistema nervoso em áreas endêmicas.
1. CAROD-ARTAL, Francisco Javier; WICHMANN, Ole; FARRAR, Jeremy; et al. Neurological complications of dengue virus infection. The Lancet Neurology, v. 12, n. 9, p. 906–919, 2013. 2. PUCCIONI-SOHLER, Marzia; ROSADAS, Carolina ; CABRAL-CASTRO, Mauro Jorge. Neurological complications in dengue infection: a review for clinical practice. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 71, n. 9B, p. 667–671, 2013. 3. Painel de Monitoramento das Arboviroses. Ministério da Saúde. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses>.