ATUAÇÃO NO AUDIOVISUAL: UM OLHAR PARA O SENSORIAL E UM MERGULHO NO INSTINTO

ISABELA SANTOS BARROS

Apresentador(es): ISABELA SANTOS BARROS

Orientador(es): MARCUS VINICIUS FRITSCH DE ALMEIDA


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER

Bolsa: IC/UNIRIO


Resumo

A pesquisa desenvolvida no âmbito da iniciação científica buscou investigar o entrelaçamento entre imaginação sensorial e instinto como fundamentos para a preparação do ator no audiovisual. Partindo das propostas de Michael Chekhov, em especial no que se refere à imaginação ativa, à criação de atmosferas e à ação psicofísica, e de Harold Guskin, com sua ênfase na espontaneidade, no desbloqueio da expressividade e no cultivo da escuta instintiva, o estudo teve como motivação compreender como essas abordagens, embora distintas em suas origens, podem se articular na construção de uma presença cênica orgânica diante da câmera. A pesquisa parte da constatação de que a linguagem audiovisual exige do intérprete uma escuta porosa, capaz de equilibrar o rigor técnico e a verdade sensível, sem perder a densidade criativa que emerge do corpo e da imaginação. O objetivo principal foi refletir sobre como integrar recursos sensoriais e impulsos instintivos para potencializar a atuação cinematográfica, ampliando as possibilidades expressivas do ator em um contexto que demanda sutileza e autenticidade. Para isso, a metodologia combinou revisão bibliográfica, fichamentos analíticos e experimentação prática. Foram realizadas leituras detalhadas de Para o ator (CHEKHOV, 2021) e Como parar de atuar (GUSKIN, 2012), além de textos complementares de pesquisadores contemporâneos da pedagogia da atuação. As ideias foram testadas em exercícios práticos inspirados nas duas propostas, cujos registros foram organizados em diários reflexivos e cadernos de processo. Os resultados indicam que a respiração consciente, central para Guskin, mostrou-se eficaz para ativar estados de prontidão e desarmar bloqueios, permitindo que os impulsos emergissem de forma espontânea, uma busca de ativação do inconsciente. Já os procedimentos de Chekhov, centrados na imaginação ativa e na expansão sensorial, ampliaram a dimensão simbólica e poética da cena, favorecendo a criação de atmosferas e a densificação da experiência cênica. Quando combinadas, essas abordagens revelaram-se complementares, gerando um estado de presença cênica de forma diferente e intencionada, permeáveis ao instante e abertas ao inesperado. O estado de dilatação é concretizado. A prática reiterada dessa integração promoveu um avanço perceptível na qualidade da presença cênica, reforçando a escuta sensível como eixo condutor do trabalho. Conclui-se que a pesquisa cumpriu seus objetivos ao propor uma investigação teórico-prática capaz de articular imaginação e instinto como ferramentas interdependentes na atuação audiovisual. O estudo reafirma o valor da prática como campo legítimo de pensamento e a relevância da pesquisa artística no ambiente acadêmico. Como desdobramento, a investigação aponta para a necessidade de ampliar as interfaces entre corpo, sensibilidade e técnica, estimulando a continuidade de processos criativos e reflexivos que enriquecem a formação do ator.

Bibliografia

CHEKHOV, Michael. Para o ator. São Paulo: Perspectiva, 2021. GUSKIN, Harold. Como parar de atuar. São Paulo: Perspectiva, 2012. PELAEZ, Juliana. A escuta do instante: atuação para o audiovisual e presença em cena. Revista Urdimento, v. 2, n. 40, 2022.

Palavras-chave

Atuação audiovisual imaginação sensorial instinto Michael Chekhov Harold Guskin presença cênica
Voltar