DA TÉCNICA GENÉRICA A TÉCNICA TOTALIZANTE: UM PANORAMA SOBRE A AUTONOMIA DA TÉCNICA

FERNANDA FERRANDINI KRAMBECK KRYKHTINE

Apresentador(es): FERNANDA FERRANDINI KRAMBECK KRYKHTINE

Orientador(es): ROSARIO PECORARO


Área temática: FILOSOFIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

Contexto da pesquisa Nossa pesquisa emerge a partir da perspectiva de que a técnica, genericamente falando é um fazer antropológico instrumental característico do ser humano. A tecnologia moderna, no entanto, guarda distinções essenciais em relação a técnica clássica, compondo um modo de vida não mais pautado na tecnologia como instrumento para objetivos socialmente construídos, mas sim como uma finalidade em si mesma que passa a determinar o que é ou não possível de ser desejado, pensado e realizado. Um cenário onde os instrumentos não são mais dirigidos e construídos para necessidades e finalidades humanas comuns, mas sim no qual as finalidades humanas são intrinsecamente condicionadas às possibilidades impostas pelo desenvolvimento tecnológico. Objetivo Visamos abordar como o projeto moderno racionalista pode ser encarado como um momento fulcral na passagem da técnica genérica para a tecnologia totalizante. Gostaríamos de apontar para o papel fundamental da crescente racionalização matemática da realidade, sua infiltração nas ciências naturais, na padronização e na difusão massificada das técnicas e o aparecimento da tecnologia. Gostaríamos também de apontar que essa racionalização progressiva da realidade, embora tivesse a matemática como sua linguagem, estava recoberta de um fundo ideológico e metodológico predominantemente utilitarista Resultados Esperados Gostaríamos de elucidar a compreensão sobre como a crença na razão humana como participe de uma razão natural universal, que teria a matemática como sua linguagem expressiva, parece ter contribuído para uma mudança radical não apenas no âmbito da técnica, mas na progressiva suplantação da finalidade epistêmica pelo utilitarismo técnico e do objeto ético pelo progressismo técnico. Esse entendimento poderia ter se desdobrado numa apologia do desenvolvimento autônomo da técnica como desenvolvimento necessário da própria razão e como uma necessidade per si que não responde ou se subordina a nenhuma outra instância. Considerações finais A ideia de que o progresso tecnológico é idêntico a reificação do progresso racional parece resultar, ou no mínimo contribuir para o entendimento de que o desenvolvimento tecnológico é por si só benéfico e necessário. Deste modo o desenvolvimento tecnológico teria passado de instrumento de objetivos a objetivo instrumental como finalidade. Estaríamos vivenciando um momento onde tudo o mais é, ou pode ser, instrumentalizado pelo e para o desenvolvimento tecnológico como finalidade última. A tecnologia, por sua vez, passaria a determinar o escopo possível da realidade, da possibilidade e do desejo humano. Desse modo, a tecnologia atingiria o estatuto de autonomia, estando justificada na própria ideia de necessidade constante de seu próprio progresso, sem responder a nenhum projeto ético, social ou epistêmico, mas ao contrário, passando a determinar as pertinências e possibilidades de todo e qualquer projeto humano.

Bibliografia

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Palavras-chave

técnica filosofia da técnica filosofia da tecnologia filosofia da natureza biopolítica
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