ONTOLOGIA E ARTE NEGRA: A CONSTRUÇÃO DE SI A PARTIR DE DISPOSITIVOS E ESTRATÉGIAS CONTRA-COLONIAIS

ANNA CLARA LEÃO DOS SANTOS SILVA

Apresentador(es): ANNA CLARA LEÃO DOS SANTOS SILVA

Orientador(es): ANGELA APARECIDA DONINI


Área temática: FILOSOFIA

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC - AF


Resumo

Neste trabalho, buscamos refletir acerca da contribuição da arte para a construção de uma identidade racial individual e coletiva. Após a minha inserção no ensino superior, pude perceber que alguns jovens negros ainda encontram dificuldades em se reconhecer como uma pessoa negra. Entendemos que a causa para esse fenômeno está atrelada ao histórico colonialista, que produziu uma imagem que sempre atrela a pessoa negra ao que é negativo, ou a falta de referências. A partir disso, passei a questionar sobre como aquilo que consumimos interfere no processo de construção da nossa subjetividade e como a arte atuaria nesse processo. Este trabalho estabelece relações entre arte e política, dialogando com a filosofia contemporânea. Os principais objetivos desta pesquisa foram, realizar, a partir de revisão bibliográfica, análise teórica sobre a contribuição da arte para a luta anti-racista no Brasil. Realizar levantamento, sistematização e análise de informações sobre obras dos artistas definidos no escopo da pesquisa. Promover análise acerca dos possíveis impactos que a criação e circulação de obras deartistas negros têm na constituição de referências subjetivas e comunitárias. Para tal, a pesquisa foi realizada a partir de duas frentes, uma se concentrou no aprofundamento das referências bibliográficas que dialogassem com a temática da arte como um meio para enfrentar o racismo. A outra frente se dedicou em analisar a vida e obra de artistas negros contemporâneos e como suas produções tem sido revelantes para o processo de construção de uma identidade racial, no Brasil. Outra atividade realizada durante a pesquisa, foi a visita a museus de arte no Rio de Janeiro, buscando compreender como o negro e sua cultura tem sido representada nesses espaços. As bases hegemônicas de construção da identidade no Brasil são atravessadas por dinâmicas racistas e que reforçam as narrativas da colonialidade, impactando nas limitações de recursos e estrutura para os espaços artísticos e formativos com repertórios afrocentrados. As disputas de narrativas travadas no campo social pelo movimento negro, resultaram na possibilidade de pessoas, antes silenciadas, contarem suas próprias histórias. Tal movimento permitiu admitir que ter a sua história contada a partir do olhar colonizador, resultou em uma identidade racial inferiorizada e fragilizada. O que se propõe neste momento, é a construção de novos repertórios que rompam com a narrativa colonial e corroborem para a construção de uma identidade racial. Reconhecendo que arte é fundamental para esse processo. Concluímos que atualmente estão sendo produzidos novos conteúdos que não colocam pessoas negras no lugar de inferioridade, mas o centralizam como agentes das suas próprias histórias. Mas não limitamos o debate a isso, é preciso pensar se as pessoas para qual estas obras estão sendo destinadas, estão de fato tendo acesso a elas, entendendo que o espaço cultural no Brasil ainda é bastante elitizado.

Bibliografia

FANON, Frantz. Peles negras, máscaras brancas. São Paulo: Ubu Editora, 2020. 320p. LIMA, Diane (ORG). Negros na piscina: arte contemporânea, curadoria e educação. São Paulo: Fósforo, 2024. PAULINO, Rosana. A costura da memória. Catálogo de exposição. São Paulo: Pinacoteca, 2019.

Palavras-chave

Arte e política Identidade racial Movimento negro
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