Orientador(es): ANGELA APARECIDA DONINI
Área temática: FILOSOFIA
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC- AF
Este trabalho, teve como objetivo o levantamento, análise e fichamento de material bibliográfico; pesquisa e fichamento das obras audiovisuais Sem Coração (2024) e Quebramar (2019); estudo das personagens principais, seus contextos e desfechos; análise conceitual focada no pensamento sobre a representatividade lésbica no cinema nacional; análise comparativa sobre as representações lésbicas no cinema mainstream e alternativo; sistematização crítica do referencial bibliográfico em diálogo com o material audiovisual pesquisado e apresentação de trabalho em evento acadêmico. Para alcançar os objetivos propostos, esta pesquisa foi realizada e constituída por duas frentes de ação, a primeira visa a sistematização de quadros referenciais que servirão para base de análise dos conteúdos encontrados durante o levantamento de informações junto aos artistas e filmes que serão selecionados. A pesquisa fundamental proposta é de cunho teórico e será concentrada na atualização das problematizações sobre o modo como o cinema opera em sua trajetória com a produção de imagens onde personagens não heteronormativas são frequentemente desenvolvidas em papéis com desfechos trágicos ou no arco narrativo da hipersexualização. Por outro lado, no cinema brasileiro contemporâneo temos alguns respiros e o despertar de narrativas em que as presenças de personagens não heteronormativas são apresentadas em arcos narrativos que implicam seus contextos de vida, amizades, afetos, alianças. As bases conceituais levantadas e sistematizadas nesta etapa da pesquisa contribuirão para o trabalho empírico de levantamento de informações sobre as obras escolhidas. A etapa de caráter empírico se detém no levantamento, análise e interpretação das obras e de conteúdos relacionados a elas. Os resultados alcançados foi a percepção de que os filmes analisados durante o primeiro ano da iniciação científica são filmes que não estariam em cinemas convencionais, o primeiro é o longa Sem Coração dirigido por Nara Normande e Tião, roteirizado pelos mesmos, teve seu lançamento em 2024. O segundo filme, foi o curta-metragem Quebramar, no qual foi pensando, roteirizado e produzido coletivamente, no qual as mesmas também atuaram, a direção foi de Cris Lyra que também participou do roteiro, teve seu lançamento em 2019, e ganhou prêmios em festivais de cinema ao redor do mundo. Ambos foram um processo de cura enquanto ser um corpo lésbico, tem um toque da própria realidade vivida pelos diretores, mais uma vez demonstrando o quanto o espaço do cinema pode ser de reinvenção da própria história. Assim como toda construção do curta foi feita coletivamente, as personagens aparentam existir somente em grupo, ao contrário de Sem Coração que pude trazer mais detalhes sobre os personagens e perceber os papéis principais do longa, em Quebramar, todas as personagens têm características muito íntimas, histórias únicas, principalmente por ser um grupo diversos, com meninas negras, que tiveram a vida atravessada pelo racismo, mas com todas se encontrando na busca por entender melhor sua sexualidade. O desfecho das histórias retratadas, ficou em aberto para imaginarmos que o futuro dessas jovens possa continuar sendo leve, mesmo com as questões de gênero, classe e raça que enfrentarão, mas que vivendo dividindo as doçuras e dores pode ser fruitivo. Com isso, após a análise fílmica desenvolvida no primeiro ano da pesquisa, foi possível identificar a possibilidade de reconstrução do cenário das mulheres lésbicas.
hooks, bell. Cinema Vivido: raça, classe e sexo nas telas. São Paulo: Editora Elefante, 2023. LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da Sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p.07-34. MACEDO, C. Memória e existência lésbica no cinema. Revista Científica/FAP, Curitiba, v. 29, n. 2, p. 410–432, 2023. DOI: 10.33871/19805071.2023.29.2.8120. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/index.php/revistacientifica/article/view/8120. Acesso em: 8 maio. 2024.