Orientador(es): MARCELO CASTANHEIRA FERREIRA
Área temática: NUTRIÇÃO
Modalidade de apresentação: SESSÃO DE PÔSTER
Bolsa: IC/UNIRIO
O envelhecimento é um fenômeno natural e progressivo, em que a qualidade da dieta exerce papel fundamental, na manutenção do estado nutricional e na maior capacidade funcional do idoso ao longo do tempo. Neste sentido, o presente estudo objetiva investigar a prevalência de baixa qualidade da dieta e o perfil antropométrico de mulheres idosas participantes do programa extensionista Promoção à Saúde e Qualidade de Vida do Idoso-Grupo Renascer. Este último ocorre no Centro Multidisciplinar de Pesquisa e Extensão sobre Envelhecimento (CEMPE/HUGG). Foram coletados dados: 1) antropométricos – peso (kg), altura (m) – índice de massa corporal (kg/m²) – circunferência da cintura (CC) e circunferência da panturrilha (CP). Foram adotados os pontos de corte do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional/Ministério da Saúde; 2) sobre a qualidade da dieta – foi adotado um questionário de frequência alimentar qualitativo e, posteriormente, aplicado o Índice de Qualidade da Dieta do Idoso- IQD-i, em que as frequências de consumo semanal são categorizadas e pontuadas, conforme a presença de alimentos considerados “saudáveis” e “não saudáveis”. A pontuação total do IQD-i pode variar de 0 a 33 pontos, permitindo classificar a dieta em tercis, como: baixa qualidade, qualidade intermediária ou boa qualidade. A população foi caracterizada segundo sexo, idade, etilismo, atividade física, se lê e escreve e com quantas pessoas mora o idoso. Participaram do estudo 35 mulheres idosas, com idades variando entre 60 e 100 anos, e média de 82,7 anos (±9,7). Em relação as características antropométricas, o IMC médio foi de 28,18 kg/m², com prevalência de 54,3% de idosas com sobrepeso, e 8,6% com baixo peso, compatíveis com dados nacionais; cerca de metade das idosas também apresentaram obesidade abdominal, com CC > 88 cm. Foi observado, ainda, que 20% das idosas apresentaram depleção muscular, com CP < 33 cm. Somente 23 idosas puderam ser entrevistadas até o momento. A grande maioria lê e escreve (90%) e metade mora sozinha. Cerca de 45% relataram algum uso de bebidas alcoólicas e 82% realizavam atividade física. Sobre a qualidade da dieta, 28,6% apresentaram baixa qualidade e 28,6% qualidade intermediária. Alimentos doces, refrigerantes, sucos artificiais e fast-food tiveram influência na redução da pontuação. O estudo identificou que a maioria das idosas apresentou sobrepeso e elevada prevalência de adiposidade abdominal. Mais da metade apresentou padrão alimentar intermediário ou de baixa qualidade, segundo o IQD-i. Esses dados permitem entender melhor os hábitos alimentares de mulheres idosas, com características similares, e apontar estratégias de promoção de saúde e intervenções educativas em alimentação e nutrição, que valorizem alimentos in natura e diminuam o consumo de ultraprocessados na dieta dos idosos participantes.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN Web. Relatórios de Estado Nutricional – Idosos. Disponível em: https://sisaps.saude.gov.br/sisvan/relatoriopublico/index . Acesso em: 24 ago. 2025. PAGOTTO, Valéria et al. Circunferência da panturrilha: validação clínica para avaliação de massa muscular em idosos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 71, n. 4, p. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/BZQqBLmt46YRZCqvTxCHMJH/ . Acesso em: 29 ago. 2025. ARAÚJO, Janaína et al. Qualidade da dieta de idosos no Brasil. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento, Porto Alegre, 2021. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/RevEnvelhecer/article/view/70383 . Acesso em: 8 ago. 2025.