TRANSFORMAÇÃO POÉTICA ATRAVÉS DAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS DA LITERATURA E DA PERFORMANCE: COMO CONTEMPLAR UM AMANHECER.

VITÓRIA ARRUDA CAMARGO GONÇALVES

Apresentador(es): VITÓRIA ARRUDA CAMARGO GONÇALVES

Orientador(es): TANIA ALICE CAPLAIN FEIX


Área temática: TEATRO

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

O trabalho integrou a pesquisa Poéticas do cuidado: arte em tempos de crise, coordenada pela Profa. Dra. Tania Alice (Artes Cênicas), em parceria com a Profa. Dra. Carla Miguelote (Letras), no âmbito do Grupo de Pesquisa Práticas Performativas. O projeto partiu da vivência do amanhecer como experiência estética, poética e de cuidado. Inspirado na obra O Fazedor do Amanhecer, de Manoel de Barros, e teve como foco central o registro artístico e reflexivo dessas práticas. Foram convidados seis autores, Taylane Cruz, Ana Kiffer, Caio Riscado, Beatriz Belintani, Júlia Portes e Carla Miguelote, a produzirem textos inéditos sobre o amanhecer, que se tornaram matéria-prima para performances realizadas em diferentes cenários do Rio de Janeiro durante o amanhecer. O objetivo principal foi investigar como o registro da literatura, quando transposta em registro em performance, poderia se tornar experiência coletiva de cuidado, memória e sensibilidade, promovendo conexões entre corpo, palavra, ambiente natural e comunidade. Pretendeu-se, assim, compreender a potência da performance como espaço de atravessamento entre arte e vida, entre o íntimo e o coletivo, entre literatura e corporeidade. A metodologia combinou estudo teórico e prática artística, articulando leituras, análises coletivas, criação performática e registros em literatura, performance, fotografia, vídeo e textos reflexivos. As vivências ocorreram em ambientes naturais e urbanos ao amanhecer, envolvendo preparação logística, ensaios e encontros de partilha. O registro dessas ações constituiu-se como arquivo artístico e crítico, posteriormente organizado em um e-book coletivo com textos, imagens e reflexões do grupo disponível em: https://www.performerssemfronteiras.com/_files/ugd/b0f19b_4a5e38476daa432ab7467a4b964f3914.pdf. O registro foi compreendido não apenas como documentação, mas como parte integrante do processo criativo, atuando como forma de prolongar e ressignificar a experiência performativa. Cada fotografia, relato escrito e vídeo produzido tornou-se extensão da performance, preservando sua potência efêmera e, ao mesmo tempo, transformando-a em memória compartilhável e em material de análise crítica. Nesse sentido, o registro configurou-se como base fundamental do projeto, estabelecendo pontes entre a prática artística e sua reflexão teórica. Os resultados alcançados demonstram que a experiência de performar o amanhecer a partir de textos literários inéditos amplia o horizonte das artes cênicas, ao fundir literatura, performance e sensibilidade ambiental. O projeto produziu seis performances, um acervo de registros fotográficos e textuais, relatos individuais e coletivos e um e-book de acesso público. Conclui-se que o projeto consolidou uma prática interdisciplinar capaz de propor novos modos de pensar a arte em tempos de crise, articulando cuidado e afeto. Como desdobramento, abre-se a possibilidade de novas pesquisas interdisciplinares em torno da performance, da literatura, do registro e do arquivo, fortalecendo a dimensão política e estética da arte como espaço de transformação.

Bibliografia

ALICE, Tania (org.). Poéticas do cuidado: um panorama brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2025. BARROS, Manoel de. O fazedor de amanhecer. Rio de Janeiro: Companhia das Letrinhas, 2023. 48 p. ISBN 978-65-8177-633-6. FABIÃO, Eleonora. Programa performativo: o corpo-em-experiência. Revista do Lume, Campinas, n. 4, p. 1-14, dez. 2013.

Palavras-chave

Amanhecer Performance Literatura Registro Poéticas do cuidado Arquivo
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