CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA E MOLECULAR DA ESPÉCIE DE DINOFLAGELADO RESPONSÁVEL POR UMA FLORAÇÃO EM SANTA CATARINA.

ANA CLAUDIA RODRIGUES VILELLA

Apresentador(es): ANA CLAUDIA RODRIGUES VILELLA

Orientador(es): FABIANO SALGUEIRO, SILVIA MATTOS NASCIMENTO, AMANDA GOULART


Área temática: BIODIVERSIDADE

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

A proliferação massiva de microalgas, denominada floração de algas nocivas (FANs), representa um fenômeno crescente com impactos ecológicos e socioeconômicos negativos, com consequências para a pesca, o turismo e a saúde pública. O aumento global na frequência e intensidade desses eventos gera preocupações para o futuro dos ecossistemas costeiros. Em março de 2024, um evento de floração de dinoflagelados resultou na mortalidade de peixes na costa de São José (Santa Catarina). Diante disso, o presente trabalho objetivou realizar a caracterização morfológica e genética da espécie responsável por esse evento. A análise incluiu a observação de amostras em microscopia ótica (MO), microscopia eletrônica de varredura (MEV) e identificação molecular. Contudo, as tentativas de caracterização através de MEV e do sequenciamento de loci do DNA ribossomal (rDNA) não produziram resultados conclusivos para a identificação da espécie. A análise das amostras por MO permitiu identificar células de dinoflagelados com comprimento médio de 16 µm e largura de 13 µm. Na análise por MEV, infelizmente não foi possível observar a presença de células de dinoflagelados nas amostras processadas. Para a análise genética, 500 células foram isoladas, colocadas em um tubo de 0,5 ml e submetidas a duas abordagens de extração de DNA (com e sem o emprego de um sonicador), utilizando o kit NucleoSpin Plant II (Macherey-Nagel). Reações de PCR foram realizadas tanto com primers da literatura como com primers desenvolvidos no próprio laboratório, para os locos ITS e LSU – rDNA. As extrações de DNA com e sem o emprego do sonicador apresentaram resultados semelhantes. De forma geral, a maioria das PCRs, com diferentes primers, não gerou amplificação ou gerou amplificações com muitas bandas secundárias (amplificações inespecíficas). Os pares de primers D1R × D3B e LSU_305R × LSU_D1R (LSU-rDNA) apresentaram os melhores resultados, ambos gerando banda única, na faixa de 800 a 1150 pb. Entretanto, o sequenciamento dos dois amplicons obtidos não funcionou, não sendo possível a identificação molecular da espécie-alvo. Na primeira tentativa, obteve-se uma sequência curta, de aproximadamente 150 nucleotídeos, com 100% de similaridade a sequências de ciliados, indicando amplificação inespecífica ou contaminação, possivelmente associada à amostra original. O sequenciamento do segundo amplicon não gerou nenhuma leitura. Assim, não foi possível identificar a espécie de dinoflagelado responsável pela floração em Santa Catarina, seja por microscopia ou sequenciamento do rDNA. O trabalho enfrentou desafios técnicos, por exemplo, nas etapas de preparo das amostras para microscopia, otimização das PCRs e sequenciamento. Para trabalhos futuros, recomenda-se, por exemplo, a otimização do protocolo de preparo da amostra para MEV, protocolo de lise celular/extração do DNA e a utilização de primers mais específicos.

Bibliografia

ADACHI, M. et al. Molecular phylogenetic study of Alexandrium tamarense species complex based on partial SSU rDNA sequence. Journal of Phycology, Malden, v. 32, n. 4, ago. 1996. DOI: 10.1111/j.1529-8817.1996.tb03496.x. BERDALET, Elisa et al. Marine harmful algal blooms, human health and wellbeing: challenges and opportunities in the 21st century. Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom, [s. l.], 2015. DOI: 10.1017/S0025315415001733. SMITH, Kirsty F. et al. Molecular Identification of Gambierdiscus and Fukuyoa (Dinophyceae) from Environmental Samples. Marine Drugs, Basel, v. 15, n. 8, ago. 2017. DOI: 10.3390/md15080248

Palavras-chave

Floração de Algas Nocivas (FANs) microscopia ótica microscopia eletrônica sequenciamento rDNA.
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