ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DA JUVENTUDE: SOCIALIZAÇÃO, ESCOLARIZAÇÃO E TRABALHO

JAQUELINE LOPES FREITAS

Apresentador(es): JAQUELINE LOPES FREITAS

Orientador(es): MÔNICA DIAS PEREGRINO FERREIRA


Área temática: EDUCAÇÃO

Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL

Bolsa: PIBIC


Resumo

O presente trabalho é um recorte de 5 anos de pesquisa que analisa as relações entre juventude, escolarização e trabalho no Brasil, buscando compreender como esses três elementos se entrelaçam em um contexto marcado por desigualdades estruturais. A pesquisa toma como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) e levantamentos bibliográficos sistematizados, revelando os desafios enfrentados por jovens na conciliação entre estudo e inserção no mercado de trabalho. Reconhecendo que a juventude não é um grupo homogêneo, mas atravessado por marcadores sociais como classe, gênero e raça, os quais definem diferentes modos de socialização e trajetórias educacionais com a utilização de dados anteriores à pandemia para analisar o cenário juvenil que é composto por três grandes etapas. Tendo como metodologia, análises de dados públicos e utilização das ferramentas oferecidas pela plataforma Sidra do IBGE, pode ser criado filtros que foram usados como marcadores para o desenvolvimento de levantamentos bibliográficos. Os resultados indicaram que a evasão escolar permanece fortemente associada à necessidade de trabalhar, atingindo cerca de 40% dos jovens, ao passo que outras motivações, como desinteresse ou questões familiares, variam de acordo com o período, os dados reforçam também a invisibilidade histórica do trabalho doméstico e de cuidados, frequentemente assumido por mulheres e pouco reconhecido como atividade produtiva. Essa realidade reforça que a educação, embora seja direito básico, ainda não garante plena ascensão social, pois está condicionada a uma estrutura mercadológica desigual. Os levantamentos bibliográficos também revelaram que mesmo a educação sendo obrigatória até os 17 anos, ainda há uma escassez de trabalhos publicados na área da educação debatendo questões juvenis. Esse “esquecimento” da dimensão laboral dentro da pesquisa educacional limita a compreensão das múltiplas formas de vivência juvenil, ao mesmo tempo que as políticas públicas para a juventude têm avançado, a descontinuidade de políticas essenciais a partir de trocas governamentais afetaram diretamente a formação plena da juventude brasileira. Conclui-se que a juventude brasileira enfrenta diversas questões, pois mesmo com a universalização do ensino, a permanência e o engajamento estudantil ainda é um desafio na conclusão da educação básica. Desta forma se mostra urgente pensar políticas públicas intersetoriais que articulem educação, trabalho e assistência social, promovendo condições objetivas para que os jovens possam construir trajetórias menos fragmentadas, reconhecendo pluralidade deste grupo e garantindo equidade no acesso a direitos, são passos fundamentais para o desenvolvimento social do país.

Bibliografia

ABRAMO, H. W.; VENTURI, G.; CORROCHANO, M. C. Estudar e trabalhar: um olhar qualitativo sobre uma complexa combinação nas trajetórias juvenis. Novos Estudos – CEBRAP, v. 39, n. 118, p. 523–542, 2020. PEREGRINO, M.; PRATA, J. de M. Juventude como mirante dos fenômenos sociais e a reforma do ensino médio — o que se vê quando se olha de um outro lugar? Revista Brasileira de Educação, v. 28, e280052, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-24782023280052. THIN, D. Para uma análise das relações entre famílias populares e escola: confrontação entre lógicas socializadoras. Revista Brasileira de Educação, v. 11, n. 32, p. 211–225, 2006.

Palavras-chave

educação juventude trabalho socialização
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