Orientador(es): JULIO CESAR TOLENTINO JUNIOR
Área temática: MEDICINA
Modalidade de apresentação: SESSÃO ORAL
Bolsa: PIBIC
Introdução: O desequilíbrio da modulação autonômica cardíaca (MAC), definido pela diminuição da atividade parassimpática ou pelo aumento da atividade simpática, está relacionado ao surgimento de doenças cardiovasculares (DCV)¹²³. Evidências apontam que a gratidão pode exercer efeitos benéficos sobre a MAC em indivíduos com DCV⁴⁵. Entretanto, ainda não está claro se esse efeito também ocorre em pessoas sem DCV. Diante disso, este estudo buscou investigar se a gratidão se associa a um maior tônus parassimpático em relação à atividade simpática. Objetivo: Investigar a relação entre gratidão e MAC, por meio da análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) em indivíduos sem DCV. Materiais e Métodos: Estudo transversal realizado com 155 participantes (funcionários e estudantes do Hospital Universitário), de ambos os sexos, entre 18 e 60 anos, sem uso de medicações ou doenças que interferissem no sistema nervoso autônomo. A média de idade foi de 27,9 ± 9,8 anos, com predominância do sexo feminino (59,4%). A MAC foi avaliada por meio da VFC registrada em eletrocardiograma durante 5 minutos. Foram analisados os seguintes parâmetros no domínio do tempo: SDNN (ms), pNN50 (%) e RMSSD (ms). No domínio da frequência, avaliou-se a potência em baixa frequência (LF), alta frequência (HF) e a relação LF/HF. A gratidão foi mensurada pelo The Gratitude Questionnaire – Six Item Form (GQ-6). As análises estatísticas foram conduzidas no SPSS®️ 21, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: As pontuações do GQ-6 variaram de 24 a 42 pontos (média = 34,0 ± 5,1). Houve correlações positivas significativas entre a gratidão e os índices da VFC no domínio do tempo: SDNN (r = 0,57; p < 0,001), pNN50 (r = 0,57; p < 0,001) e RMSSD (r = 0,54; p < 0,001). Não foram observadas associações significativas entre a gratidão e os parâmetros no domínio da frequência (LF: r = 0,08; p = 0,43; HF: r = 0,10; p = 0,35; LF/HF: r = -0,07; p = 0,52). Nas análises de regressão linear, a gratidão foi preditora significativa dos índices de VFC no domínio do tempo (R² variando entre 0,28 e 0,33). Conclusões: A gratidão mostrou-se relacionada a maior modulação autonômica cardíaca no domínio do tempo, refletindo aumento da atividade parassimpática e melhor equilíbrio autonômico. Essa condição está associada a menor risco de eventos cardiovasculares e mortalidade. Considerando que intervenções de gratidão são acessíveis e de baixo custo, há potencial valor clínico para sua aplicação preventiva e terapêutica em cardiologia.
SACCO, Lisa; SONG, Chunli; WANG, Xiaoxiao. The impact of gratitude interventions on patients with cardiovascular disease. Frontiers in Psychology, vol. 14, article 1243598, 2023. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2023.1243598/full. Acesso em: 23/08/2025.. LEAVY, Bianca; O’CONNELL, Bróna H.; O’SHEA, Donncha. Heart rate reactivity mediates the relationship between trait gratitude and acute myocardial infarction. Biological Psychology, vol. 183, article 108663, 2023. Acesso em 23/08/2025. DÍAZ-DINIZ, G.; et al. The effects of gratitude interventions: a systematic review and meta-analysis. (Título em inglês). Revista (ou periódico) 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10393216/. Acesso em: 23/08/2025.